array(31) {
["id"]=>
int(178510)
["title"]=>
string(92) " Pesquisa avalia o que mais afeta a qualidade de vida do médico brasileiro; veja resultados"
["content"]=>
string(6585) "O estresse percebido é o fator que mais afeta a qualidade de vida dos médicos brasileiros, de acordo com o Índice Afya MedQoL, primeiro levantamento nacional sobre o bem-estar desses profissionais. O estudo, realizado pela Afya e publicado na revista científica British Medical Journal Open, contou com a participação de mais de 2 mil médicos de todas as regiões do País.
De acordo com Eduardo Moura, diretor do Research Center da Afya e um dos autores da pesquisa, o objetivo era medir a qualidade de vida e a saúde mental dos médicos brasileiros. Para isso, o trabalho contou com 2.005 profissionais que responderam questionários online aplicados entre julho e agosto de 2024.
O estudo focou na análise de três pontos principais: qualidade de vida global (percepção geral do profissional sobre a própria vida), apoio institucional (que avalia o clima organizacional e a segurança psicológica do local de trabalho) e o estresse percebido (que analisa o contexto do ambiente de trabalho, a pressão por atendimentos e a carga horária). Além da coleta de dados, os autores desenvolveram e validaram uma escala própria, a Afya MedQoL.
O estresse despontou como o aspecto que mais afeta os profissionais. Ele é mais acentuado entre mulheres, médicos em início de carreira e profissionais com cargas horárias semanais superiores a 60 horas, sendo este último ponto um grande destaque.
"A carreira médica é muito pressionada por expectativas. É um profissional altamente qualificado e bem remunerado, em relação à média nacional. Isso gera uma exigência natural para que o profissional sustente um alto padrão de vida, o que frequentemente resulta em cargas horárias muito superiores às de outras profissões. Outros estudos nossos apontam uma média de 52 a 54 horas semanais", contextualiza Moura.
Apesar disso, o aumento salarial - entre médicos que recebem R$ 25 mil ou mais - não se traduz em melhor qualidade de vida, segundo o levantamento. Para o autor, esse dado indica que, em determinado momento, é preciso abrir mão de ganhos financeiros para preservar o equilíbrio e a saúde mental.
Sobre os médicos em início de carreira, Moura cita que eles, muitas vezes, assumem os postos de trabalho de maior atratividade. "Locais com menos recursos, mais periféricos e até mesmo com jornadas de trabalho mais intensas. Não por acaso são acometidos por mais estresse."
Violência
De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), a cada dia, nove médicos são vítimas de violência em estabelecimentos de saúde do Brasil. O levantamento considerou cerca de 38 mil boletins de ocorrência registrados entre 2013 e 2024 no País.
Os casos abrangem diversos problemas, como ameaça, lesão corporal, perturbação do trabalho, injúria ofendendo a dignidade, calúnia, difamação e furto.
A pesquisa não levou esse tipo de ocorrência em consideração, mas Moura destaca que a violência é amplamente relatada na literatura médica, tanto no Brasil quanto no exterior, e também pode influenciar a qualidade de vida dos profissionais.
Ele ressalta que o médico muitas vezes está em uma posição vulnerável perante o paciente, especialmente quando expectativas não são atendidas (como demora no atendimento ou negativa de atestado) e as unidades de saúde carecem de estrutura de segurança.
Como diminuir o estresse?
Além de evitar jornadas de trabalho acima de 60 horas, outro fator que pode ajudar é um maior apoio institucional. "O estresse é um balanço entre a exigência e a demanda de trabalho e os recursos disponíveis para dar conta dessa demanda", cita o autor.
"Se você tem uma demanda maior, mas conta com uma estrutura de apoio que permite cumprir essas exigências - seja por ter uma equipe ou uma estrutura hospitalar adequada -, o impacto é diferente. Quanto maior o apoio institucional, maior o contrabalanceamento do estresse percebido", continua.
A implementação de programas de acompanhamento psicológico e núcleos de suporte pode ajudar na prevenção de transtornos como burnout, ansiedade e depressão. Ações voltadas para alimentação saudável, prática de atividade física e o monitoramento constante do bem-estar dos profissionais também são estratégias preventivas eficazes.
"
["author"]=>
string(18) "Estadão Conteúdo"
["user"]=>
NULL
["image"]=>
array(6) {
["id"]=>
int(635890)
["filename"]=>
string(20) "medicosdoentes-1.png"
["size"]=>
string(6) "466592"
["mime_type"]=>
string(9) "image/png"
["anchor"]=>
NULL
["path"]=>
string(5) "aass/"
}
["image_caption"]=>
string(15) "© Shutterstock"
["categories_posts"]=>
NULL
["tags_posts"]=>
array(0) {
}
["active"]=>
bool(true)
["description"]=>
string(334) "Pesquisadores analisaram as percepções de 2.005 profissionais de todas as regiões do País; dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que, a cada dia, nove médicos são vítimas de violência em estabelecimentos de saúde do Brasil
"
["author_slug"]=>
string(16) "estadao-conteudo"
["views"]=>
int(101)
["images"]=>
NULL
["alternative_title"]=>
string(0) ""
["featured"]=>
bool(false)
["position"]=>
int(0)
["featured_position"]=>
int(0)
["users"]=>
NULL
["groups"]=>
NULL
["author_image"]=>
NULL
["thumbnail"]=>
NULL
["slug"]=>
string(89) "pesquisa-avalia-o-que-mais-afeta-a-qualidade-de-vida-do-medico-brasileiro-veja-resultados"
["categories"]=>
array(1) {
[0]=>
array(9) {
["id"]=>
int(460)
["name"]=>
string(6) "Brasil"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(0) ""
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(6) "brasil"
}
}
["category"]=>
array(9) {
["id"]=>
int(460)
["name"]=>
string(6) "Brasil"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(0) ""
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(6) "brasil"
}
["tags"]=>
NULL
["created_at"]=>
object(DateTime)#539 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-03-22 17:09:45.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["updated_at"]=>
object(DateTime)#546 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-03-22 17:09:45.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["published_at"]=>
string(25) "2026-03-22T17:10:00-03:00"
["group_permissions"]=>
array(4) {
[0]=>
int(1)
[1]=>
int(4)
[2]=>
int(2)
[3]=>
int(3)
}
["image_path"]=>
string(25) "aass/medicosdoentes-1.png"
}
O estresse percebido é o fator que mais afeta a qualidade de vida dos médicos brasileiros, de acordo com o Índice Afya MedQoL, primeiro levantamento nacional sobre o bem-estar desses profissionais. O estudo, realizado pela Afya e publicado na revista científica British Medical Journal Open, contou com a participação de mais de 2 mil médicos de todas as regiões do País.
De acordo com Eduardo Moura, diretor do Research Center da Afya e um dos autores da pesquisa, o objetivo era medir a qualidade de vida e a saúde mental dos médicos brasileiros. Para isso, o trabalho contou com 2.005 profissionais que responderam questionários online aplicados entre julho e agosto de 2024.
O estudo focou na análise de três pontos principais: qualidade de vida global (percepção geral do profissional sobre a própria vida), apoio institucional (que avalia o clima organizacional e a segurança psicológica do local de trabalho) e o estresse percebido (que analisa o contexto do ambiente de trabalho, a pressão por atendimentos e a carga horária). Além da coleta de dados, os autores desenvolveram e validaram uma escala própria, a Afya MedQoL.
O estresse despontou como o aspecto que mais afeta os profissionais. Ele é mais acentuado entre mulheres, médicos em início de carreira e profissionais com cargas horárias semanais superiores a 60 horas, sendo este último ponto um grande destaque.
"A carreira médica é muito pressionada por expectativas. É um profissional altamente qualificado e bem remunerado, em relação à média nacional. Isso gera uma exigência natural para que o profissional sustente um alto padrão de vida, o que frequentemente resulta em cargas horárias muito superiores às de outras profissões. Outros estudos nossos apontam uma média de 52 a 54 horas semanais", contextualiza Moura.
Apesar disso, o aumento salarial - entre médicos que recebem R$ 25 mil ou mais - não se traduz em melhor qualidade de vida, segundo o levantamento. Para o autor, esse dado indica que, em determinado momento, é preciso abrir mão de ganhos financeiros para preservar o equilíbrio e a saúde mental.
Sobre os médicos em início de carreira, Moura cita que eles, muitas vezes, assumem os postos de trabalho de maior atratividade. "Locais com menos recursos, mais periféricos e até mesmo com jornadas de trabalho mais intensas. Não por acaso são acometidos por mais estresse."
Violência
De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), a cada dia, nove médicos são vítimas de violência em estabelecimentos de saúde do Brasil. O levantamento considerou cerca de 38 mil boletins de ocorrência registrados entre 2013 e 2024 no País.
Os casos abrangem diversos problemas, como ameaça, lesão corporal, perturbação do trabalho, injúria ofendendo a dignidade, calúnia, difamação e furto.
A pesquisa não levou esse tipo de ocorrência em consideração, mas Moura destaca que a violência é amplamente relatada na literatura médica, tanto no Brasil quanto no exterior, e também pode influenciar a qualidade de vida dos profissionais.
Ele ressalta que o médico muitas vezes está em uma posição vulnerável perante o paciente, especialmente quando expectativas não são atendidas (como demora no atendimento ou negativa de atestado) e as unidades de saúde carecem de estrutura de segurança.
Como diminuir o estresse?
Além de evitar jornadas de trabalho acima de 60 horas, outro fator que pode ajudar é um maior apoio institucional. "O estresse é um balanço entre a exigência e a demanda de trabalho e os recursos disponíveis para dar conta dessa demanda", cita o autor.
"Se você tem uma demanda maior, mas conta com uma estrutura de apoio que permite cumprir essas exigências - seja por ter uma equipe ou uma estrutura hospitalar adequada -, o impacto é diferente. Quanto maior o apoio institucional, maior o contrabalanceamento do estresse percebido", continua.
A implementação de programas de acompanhamento psicológico e núcleos de suporte pode ajudar na prevenção de transtornos como burnout, ansiedade e depressão. Ações voltadas para alimentação saudável, prática de atividade física e o monitoramento constante do bem-estar dos profissionais também são estratégias preventivas eficazes.