FACÇÕES CRIMINOSAS

A designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos entra em vigor nesta sexta-feira (5/6), completando um processo iniciado em 28 de maio. Desde o anúncio, o governo brasileiro mantém conversas diplomáticas com Washington.

O comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, afirma que as facções atuam além das fronteiras brasileiras e alcançam território americano. A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, disse que Trump quer "eliminar" os grupos e usará "todas as ferramentas disponíveis", citando presença das facções em 12 estados dos EUA.

PCC e CV passam a ser tratados como terroristas pelos EUA. As facções deixam de ser enquadradas apenas como narcotráfico e crime organizado e passam a receber tratamento voltado ao terrorismo, com maior atuação de órgãos de contraterrorismo americanos.

Apoio às facções vira crime sob a lei americana. A legislação dos EUA pune pessoas e empresas que forneçam qualquer tipo de assistência a organizações terroristas conceito amplo que inclui recursos financeiros, serviços e logística.

Bancos e empresas ficam sob pressão. Instituições brasileiras com operações ligadas ao sistema financeiro americano podem ser obrigadas a reforçar controles internos. Bens identificados em território americano ou sob alcance da legislação dos EUA podem ser congelados.

Restrições de entrada nos EUA. Pessoas enquadradas pelas autoridades americanas podem enfrentar veto de visto e outras medidas migratórias.

A legislação brasileira não muda. PCC e CV continuam sendo tratados no Brasil como organizações criminosas. A decisão americana não produz efeitos automáticos no ordenamento jurídico nacional.

Sanções financeiras e cooperação em risco

O pesquisador Feliciano Guimarães, diretor acadêmico do Cebri, afirma em entrevista ao g1 que há risco real de sanções a bancos e empresas instaladas no Brasil "inclusive a Petrobras", citou. Segundo ele, se investigações como a Operação Carbono Oculto identificarem instituições que "por alguma forma, passaram recurso do PCC ou do CV", essas entidades podem sofrer sanções diretas.

Guimarães vê também ameaça à cooperação de inteligência. Brasil e EUA já haviam formado uma força-tarefa entre Polícia Federal e FBI para troca de informações. "Se você adiciona outras agências e principalmente a CIA, gera problema no relacionamento já estabelecido entre as agências brasileiras", alertou. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, já se posicionou contra equiparar facções a grupos terroristas.

Economistas e juristas identificam três efeitos principais para a economia: aumento da percepção de risco, mais incerteza e elevação de custos. O risco mais grave, dizem especialistas, não é a punição formal, mas o reputacional bancos estrangeiros poderiam encerrar relações ou reduzir limites a instituições brasileiras. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, levantou preocupação com um eventual risco ao Pix, mas especialistas avaliam que o que importa é o tipo de relação das empresas com pessoas vinculadas às facções, não o meio de pagamento.

Governo Lula e a opinião dos brasileiros

O Palácio do Planalto avalia que não há possibilidade de recuo dos EUA e que a medida não deve trazer prejuízos imediatos. Auxiliares de Lula não acreditam, por ora, em operações militares americanas em território brasileiro, mas temem que a classificação abra espaço para intervenções unilaterais sob pretexto de combate ao terrorismo. A ida de Lula ao G7, na França, entre 15 e 17 de junho, abre espaço para um eventual encontro com Trump o governo afirma que ainda não há nada fechado.

Entre a população, duas pesquisas apontam apoio majoritário à medida. A AtlasIntel (1.273 entrevistados, margem de erro de 3 p.p.) mostra 53,1% favoráveis e 44,7% contrários; 55,9% defendem que o próprio Brasil classifique as facções como terroristas. A PoderData (2.500 eleitores, margem de erro de 2 p.p.) registra 53% considerando a decisão boa para o país, contra 33% que a veem como ruim.

O que muda com a designação de terroristas para PCC e CV

Entenda os impactos da decisão americana nas facções brasileiras.

Tratamento como terroristas: Agora, as facções são alvo de órgãos de contraterrorismo dos EUA.

Deixam de ser apenas crime organizado, recebendo um enquadramento mais severo e recursos específicos para combate ao terrorismo.

Apoio vira crime: Fornecer assistência às facções nos EUA passa a ser ilegal.

Qualquer tipo de suporte (finanças, serviços, logística) pode ser punido conforme a legislação antiterrorista americana.

Pressão sobre empresas: Bancos e companhias ligadas aos EUA podem ser afetados.

Controles mais rígidos, risco de congelamento de bens e sanções financeiras são esperados para instituições com operações nos EUA.

Restrições de entrada: Pessoas ligadas às facções podem ter vistos negados.

 

As autoridades americanas podem aplicar vetos e outras medidas migratórias a indivíduos considerados parte ou apoiadores dos grupos.
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