OPERAÇÃO UNHA E CARNE

O pastor Márcio Poncio e Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, voltaram à mira da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (29/10).

Segundo a TV Globo, os dois são alvos da 9ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por meio de empresas, imóveis de luxo e bens registrados em nome de terceiros.

A nova ofensiva ocorre após Poncio ter sido preso em 2 de julho, durante a quinta etapa da investigação. Conforme reportado pela emissora, o religioso atualmente cumpre prisão domiciliar.

Na mesma fase, as autoridades também executaram um mandado de prisão contra Adilsinho, tio de Bernardo, apontado pela PF como um dos principais responsáveis pela operação financeira do grupo investigado.

Nesta quinta-feira, os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tiveram como alvos salas comerciais supostamente vinculadas ao pastor, consideradas pelos investigadores “estruturas operacionais e administrativas”, além de uma residência associada a Bernardo.

A Polícia Federal suspeita que os investigados tenham construído uma rede de empresas e propriedades para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pela administração dos recursos. Entre os bens identificados estão aeronaves executivas, veículos de luxo e imóveis de alto padrão, que integrariam uma estrutura patrimonial utilizada para esconder valores e movimentações financeiras.

Embora parte das propriedades estivesse registrada em nome de familiares, pessoas próximas e terceiros sem ligação formal com os investigados, a corporação apura se o controle efetivo continuava concentrado nos integrantes da organização criminosa.

Além da utilização de intermediários, os investigadores encontraram indícios de transações em dinheiro vivo e operações sem rastreabilidade financeira compatível. A suspeita também se estende ao possível emprego de entidades religiosas, empresas brasileiras e estrangeiras e holdings patrimoniais para dissimular a movimentação de recursos.

Em comunicado, a Polícia Federal apresentou os mecanismos identificados durante a investigação.

“Também foram constatadas a utilização recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e o emprego de empresas nacionais e estrangeiras, além da possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais”.

Informações de celular motivaram nova fase

A identificação dos endereços vasculhados nesta quinta-feira ocorreu após os investigadores examinarem dados extraídos de um aparelho celular apreendido na 5ª etapa da Operação Unha e Carne.

O conteúdo permitiu ampliar o levantamento sobre as atividades atribuídas ao grupo e localizar outras propriedades e estruturas empresariais que poderiam estar relacionadas à ocultação de recursos.

Segundo a corporação, as informações encontradas apontaram caminhos ainda não explorados nas diligências anteriores.

“Tais informações revelaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo na administração, ocultação e movimentação de recursos financeiros”, explicou a PF.

A partir desse material, os agentes buscam esclarecer a participação de cada investigado na estrutura financeira e verificar se os bens formalmente pertencentes a terceiros estavam, na prática, sob controle da organização criminosa.

O Correio tentou localizar as defesas de Márcio Poncio e Bernardo Coutinho Loyola, mas não conseguiu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.