array(31) {
["id"]=>
int(178421)
["title"]=>
string(75) "Macho alfa, fêmea beta: de onde vem a linguagem usada por tenente-coronel?"
["content"]=>
string(5336) "VIOLÊNCIA
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Mensagens de celular revelam que o tenente-coronel da PM Geraldo Neto usava termos distorcidos da biologia, como "macho alfa" e "fêmea beta", para humilhar a esposa, a soldado Gisele Alves, morta com um tiro na cabeça.
Geraldo Neto foi preso hoje por suspeita de feminicídio, violência doméstica e fraude processual. A perícia concluiu que o agressor imobilizou a vítima por trás e atirou contra a cabeça dela com uma pistola.
O laudo descartou a tese de suicídio apontada pelo suspeito. Os padrões de sangue no local e o tiro súbito pelas costas inviabilizaram qualquer chance de defesa da vítima.
O celular do oficial revelou mensagens com ofensas machistas enviadas dois dias antes do crime. "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa", escreveu Geraldo.
Gisele se recusava a aceitar as humilhações exigidas pelo marido. "Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final", respondeu a vítima após ser chamada de "burra".
A ORIGEM CIENTÍFICA DOS TERMOS
A raiz do vocabulário vem de uma interpretação antiga e já corrigida sobre o comportamento de lobos. O biólogo L. David Mech explica que a ideia nasceu de estudos em cativeiro, mas na natureza as matilhas funcionam como grupos familiares.
O primatólogo Frans de Waal popularizou o termo ao estudar hierarquias entre chimpanzés. Anos depois, ele passou a criticar a forma como a expressão foi transformada em sinônimo de homem autoritário.
O conceito original define apenas a posição mais alta na hierarquia, não uma personalidade agressiva. "Outras pessoas começaram a usá-lo para um homem que não é apenas forte e um líder, mas também um valentão. Nunca usei o termo nesse sentido", explicou de Waal.
O significado atual na internet
A internet transformou a noção distorcida em jargão de comunidades misóginas. A ONU Mulheres afirma que essa classificação reduz as mulheres a papéis de obediência dentro de uma lógica de poder masculino, a chamada "machosfera".
Expressões como "macho alfa" não têm respaldo científico atual para descrever pessoas. O termo define hoje o conceito de masculinidade como hierarquia e agressividade, segundo as professoras Jwana Aziz e Anna Lavis, especialistas em antropologia da Universidade de Birmingham, descrevem em artigo publicado no The Conversation.
A teoria atual da internet define o "beta" como fracassado e enquadra mulheres na subordinação. Quando o raciocínio é aplicado a elas, o sentido é violento, pautado por parâmetros de obediência e valor sexual.
PRISÃO E DEFESA
O Ministério Público apoiou o pedido de prisão feito pela Polícia Militar. Os promotores avaliaram que existem requisitos legais e provas suficientes para manter o tenente-coronel detido.
A defesa do policial contesta a legalidade da prisão preventiva. O advogado Eugênio Malavasi afirma que a Justiça Militar não tem competência para o caso e defende que a decisão cabe à Justiça Comum.
"
["author"]=>
string(6) "Minas1"
["user"]=>
NULL
["image"]=>
array(6) {
["id"]=>
int(635785)
["filename"]=>
string(22) "giselipmmorta.png2.png"
["size"]=>
string(6) "531364"
["mime_type"]=>
string(9) "image/png"
["anchor"]=>
NULL
["path"]=>
string(0) ""
}
["image_caption"]=>
string(122) "Policial militar Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel Geraldo Leite /crédito: Reprodução/Redes sociais"
["categories_posts"]=>
NULL
["tags_posts"]=>
array(0) {
}
["active"]=>
bool(true)
["description"]=>
string(157) "Mensagens de celular mostram que tenente-coronel da PM usava termos distorcidos da biologia para humilhar a esposa, morta com um tiro na cabeça
"
["author_slug"]=>
string(6) "minas1"
["views"]=>
int(50)
["images"]=>
NULL
["alternative_title"]=>
string(0) ""
["featured"]=>
bool(false)
["position"]=>
int(0)
["featured_position"]=>
int(0)
["users"]=>
NULL
["groups"]=>
NULL
["author_image"]=>
NULL
["thumbnail"]=>
NULL
["slug"]=>
string(71) "macho-alfa-femea-beta-de-onde-vem-a-linguagem-usada-por-tenente-coronel"
["categories"]=>
array(1) {
[0]=>
array(9) {
["id"]=>
int(460)
["name"]=>
string(6) "Brasil"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(0) ""
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(6) "brasil"
}
}
["category"]=>
array(9) {
["id"]=>
int(460)
["name"]=>
string(6) "Brasil"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(0) ""
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(6) "brasil"
}
["tags"]=>
NULL
["created_at"]=>
object(DateTime)#539 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-03-19 09:48:39.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["updated_at"]=>
object(DateTime)#546 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-03-19 09:48:39.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["published_at"]=>
string(25) "2026-03-19T09:40:00-03:00"
["group_permissions"]=>
array(4) {
[0]=>
int(1)
[1]=>
int(4)
[2]=>
int(2)
[3]=>
int(3)
}
["image_path"]=>
string(23) "/giselipmmorta.png2.png"
}
VIOLÊNCIA
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Mensagens de celular revelam que o tenente-coronel da PM Geraldo Neto usava termos distorcidos da biologia, como "macho alfa" e "fêmea beta", para humilhar a esposa, a soldado Gisele Alves, morta com um tiro na cabeça.
Geraldo Neto foi preso hoje por suspeita de feminicídio, violência doméstica e fraude processual. A perícia concluiu que o agressor imobilizou a vítima por trás e atirou contra a cabeça dela com uma pistola.
O laudo descartou a tese de suicídio apontada pelo suspeito. Os padrões de sangue no local e o tiro súbito pelas costas inviabilizaram qualquer chance de defesa da vítima.
O celular do oficial revelou mensagens com ofensas machistas enviadas dois dias antes do crime. "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa", escreveu Geraldo.
Gisele se recusava a aceitar as humilhações exigidas pelo marido. "Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final", respondeu a vítima após ser chamada de "burra".
A ORIGEM CIENTÍFICA DOS TERMOS
A raiz do vocabulário vem de uma interpretação antiga e já corrigida sobre o comportamento de lobos. O biólogo L. David Mech explica que a ideia nasceu de estudos em cativeiro, mas na natureza as matilhas funcionam como grupos familiares.
O primatólogo Frans de Waal popularizou o termo ao estudar hierarquias entre chimpanzés. Anos depois, ele passou a criticar a forma como a expressão foi transformada em sinônimo de homem autoritário.
O conceito original define apenas a posição mais alta na hierarquia, não uma personalidade agressiva. "Outras pessoas começaram a usá-lo para um homem que não é apenas forte e um líder, mas também um valentão. Nunca usei o termo nesse sentido", explicou de Waal.
O significado atual na internet
A internet transformou a noção distorcida em jargão de comunidades misóginas. A ONU Mulheres afirma que essa classificação reduz as mulheres a papéis de obediência dentro de uma lógica de poder masculino, a chamada "machosfera".
Expressões como "macho alfa" não têm respaldo científico atual para descrever pessoas. O termo define hoje o conceito de masculinidade como hierarquia e agressividade, segundo as professoras Jwana Aziz e Anna Lavis, especialistas em antropologia da Universidade de Birmingham, descrevem em artigo publicado no The Conversation.
A teoria atual da internet define o "beta" como fracassado e enquadra mulheres na subordinação. Quando o raciocínio é aplicado a elas, o sentido é violento, pautado por parâmetros de obediência e valor sexual.
PRISÃO E DEFESA
O Ministério Público apoiou o pedido de prisão feito pela Polícia Militar. Os promotores avaliaram que existem requisitos legais e provas suficientes para manter o tenente-coronel detido.
A defesa do policial contesta a legalidade da prisão preventiva. O advogado Eugênio Malavasi afirma que a Justiça Militar não tem competência para o caso e defende que a decisão cabe à Justiça Comum.