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string(56) "Geração 50+: peça no CCBB-BH debate o novo envelhecer"
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“Foi quando a gente começou a refletir sobre a nossa geração. Passamos a pesquisar, a abrir um pouco mais a nossa escuta para as coisas relacionadas ao tema. É uma geração que passou por muitas mudanças em várias áreas, não é?”, salienta. O resultado dessa imersão pode ser visto a partir desta sexta-feira (3), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH), com a peça “Eu Quero Ser uma Locomotiva”, dirigida por Lydia Del Picchia.
Não é só a tecnologia que a gente consegue perceber com mais clareza, mas são também questões políticas e econômicas, os valores, a necessidade de evolução na convivência com a diversidade”, afirma Neise. O título do espetáculo foi extraído da música “Quero Ser uma Locomotiva”, de Jorge Mautner, também cinquentenária (foi lançada em 1972 e está presente no álbum “Para Iluminar a Cidade”).
A locomotiva simboliza “a vibração que a gente tem como percepção da nossa idade”, define a atriz. “A locomotiva tem uma força, uma impulsão, uma inquietação. E, no nosso caso, chegar aos 50+ é mais do que envelhecer, mais do que ficar olhando só para trás, só para as mudanças. É o que a gente vai fazer daqui para frente, nessa encruzilhada que temos ao chegar na metade da vida”, analisa.
É justamente nesse ponto que a peça tem início, com Neise e Quintão no palco, como “algoritmos pré-históricos no futuro”, a refletirem sobre quais vestígios deixarão. “Quem nós somos e quem nós queremos ser a partir de agora? Qual foi a nossa trajetória e o que faremos com ela a partir de agora? Tudo mudou, e nós ficaremos parados?”, indaga Neise, repetindo algumas perguntas que reverberam no espetáculo.
Lydia Del Picchia diz estar em uma “estação mais avançada”, já na casa dos 60 anos. A autora registra que o título anterior da peça era “Encruzilhada”, definidor desse momento de questionamento dos personagens. “A gente sentia que era um ponto de vista, que falar dessa geração era como olhar para trás e ver o início da redemocratização no Brasil. Houve muita mudança no mundo, social e tecnológica. Fomos do analógico para o digital muito rapidamente”, explica.
Como Neise Neves, Lydia ressalta que, “um tempo atrás, quando a gente era adolescente, falar em ter 50 anos era já começar a descer a ladeira, mas essa perspectiva mudou demais”. “Estamos aqui vivíssimos, ainda cheios de desejos, de projetos ativos”. Para os 50+, é o momento de olhar para frente e saber o que propor para esse mundo, de acordo com ela.
Na peça, essa proposição se dá por meio de um antigo processo de comunicação: a carta. “A peça é feita como uma carta sendo escrita aos que vierem depois de nós. Uma carta para o futuro que deixa vestígios do que a gente viveu, de tudo que a gente passou, sem deixar de olhar para frente, sabendo que a finitude vai acontecer. Só que, enquanto não vem, a gente quer fazer muita coisa. Ainda desejamos muita coisa”, reflete Lydia.
“Eles entendem que, ao deixar um traço de memória escrevendo uma carta numa máquina de escrever, que é um objeto físico, isso seria deixar um vestígio. O espetáculo gira em torno disso. São dois cinquentões numa metáfora de uma cápsula à deriva em que fazem um inventário da sua própria obsolescência”, sublinha Neise. Além da máquina de escrever, o palco é inundado de “quinquilharias”, há fita cassete, telefones com fio e aparelho de TV com válvula.
“As pessoas que olham hoje para esses outros objetos têm uma adoração como se eles fossem ultrapassados, mas estão aí. Somos um pouco esses objetos também. As pessoas olham para a gente como se nos estranhassem: se é velha ou não, se você pode ou não fazer isso, se você já devia se aposentar... Tem vários julgamentos que são feitos sobre nós. Eles são tão obsoletos quanto o mimeógrafo que colocamos em cena. Na verdade, eu quero envelhecer e ser muito mais. Quero viver muito ainda”, conclui Lydia.
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“Foi quando a gente começou a refletir sobre a nossa geração. Passamos a pesquisar, a abrir um pouco mais a nossa escuta para as coisas relacionadas ao tema. É uma geração que passou por muitas mudanças em várias áreas, não é?”, salienta. O resultado dessa imersão pode ser visto a partir desta sexta-feira (3), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH), com a peça “Eu Quero Ser uma Locomotiva”, dirigida por Lydia Del Picchia.
Não é só a tecnologia que a gente consegue perceber com mais clareza, mas são também questões políticas e econômicas, os valores, a necessidade de evolução na convivência com a diversidade”, afirma Neise. O título do espetáculo foi extraído da música “Quero Ser uma Locomotiva”, de Jorge Mautner, também cinquentenária (foi lançada em 1972 e está presente no álbum “Para Iluminar a Cidade”).
A locomotiva simboliza “a vibração que a gente tem como percepção da nossa idade”, define a atriz. “A locomotiva tem uma força, uma impulsão, uma inquietação. E, no nosso caso, chegar aos 50+ é mais do que envelhecer, mais do que ficar olhando só para trás, só para as mudanças. É o que a gente vai fazer daqui para frente, nessa encruzilhada que temos ao chegar na metade da vida”, analisa.
É justamente nesse ponto que a peça tem início, com Neise e Quintão no palco, como “algoritmos pré-históricos no futuro”, a refletirem sobre quais vestígios deixarão. “Quem nós somos e quem nós queremos ser a partir de agora? Qual foi a nossa trajetória e o que faremos com ela a partir de agora? Tudo mudou, e nós ficaremos parados?”, indaga Neise, repetindo algumas perguntas que reverberam no espetáculo.
Lydia Del Picchia diz estar em uma “estação mais avançada”, já na casa dos 60 anos. A autora registra que o título anterior da peça era “Encruzilhada”, definidor desse momento de questionamento dos personagens. “A gente sentia que era um ponto de vista, que falar dessa geração era como olhar para trás e ver o início da redemocratização no Brasil. Houve muita mudança no mundo, social e tecnológica. Fomos do analógico para o digital muito rapidamente”, explica.
Como Neise Neves, Lydia ressalta que, “um tempo atrás, quando a gente era adolescente, falar em ter 50 anos era já começar a descer a ladeira, mas essa perspectiva mudou demais”. “Estamos aqui vivíssimos, ainda cheios de desejos, de projetos ativos”. Para os 50+, é o momento de olhar para frente e saber o que propor para esse mundo, de acordo com ela.
Na peça, essa proposição se dá por meio de um antigo processo de comunicação: a carta. “A peça é feita como uma carta sendo escrita aos que vierem depois de nós. Uma carta para o futuro que deixa vestígios do que a gente viveu, de tudo que a gente passou, sem deixar de olhar para frente, sabendo que a finitude vai acontecer. Só que, enquanto não vem, a gente quer fazer muita coisa. Ainda desejamos muita coisa”, reflete Lydia.
“Eles entendem que, ao deixar um traço de memória escrevendo uma carta numa máquina de escrever, que é um objeto físico, isso seria deixar um vestígio. O espetáculo gira em torno disso. São dois cinquentões numa metáfora de uma cápsula à deriva em que fazem um inventário da sua própria obsolescência”, sublinha Neise. Além da máquina de escrever, o palco é inundado de “quinquilharias”, há fita cassete, telefones com fio e aparelho de TV com válvula.
“As pessoas que olham hoje para esses outros objetos têm uma adoração como se eles fossem ultrapassados, mas estão aí. Somos um pouco esses objetos também. As pessoas olham para a gente como se nos estranhassem: se é velha ou não, se você pode ou não fazer isso, se você já devia se aposentar... Tem vários julgamentos que são feitos sobre nós. Eles são tão obsoletos quanto o mimeógrafo que colocamos em cena. Na verdade, eu quero envelhecer e ser muito mais. Quero viver muito ainda”, conclui Lydia.