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string(3885) "SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A viagem de Mario Frias de cinco dias para ver o lutador Renzo Gracie em Nova York somou gastos equivalentes a 13 vezes o teto da Lei Rouanet para cachês de artistas. Conforme dados do Portal da Transparência, foram gastos R$ 39 mil para tratar de um "projeto cultural envolvendo produção audiovisual, cultura e esporte" com o lutador de jiu-jítsu bolsonarista. Enquanto isso, na terça (8), o governo oficializou o limite cachês de artistas pela Lei Rouanet a R$ 3.000.
Essa mudança significou uma diminuição de mais de 93% no cachê que era permitido até então, de R$ 45 mil, e havia sido anunciada antes pelo Twitter do secretário de Fomento, André Porciuncula. Na ocasião, ele disse que o cachê de R$ 3.000 é "um valor excelente para artistas em início de carreira", e "não haverá exceções para celebridades".
Só em passagens aéreas o secretário especial da Cultura gastou R$ 26 mil dos cofres públicos. Além disso, a viagem, realizada entre 14 e 19 de dezembro, foi considerada urgente, já que foi confirmada com menos de 15 dias de antecedência.
Frias foi para os Estados Unidos acompanhado de seu secretário-adjunto, Hélio Ferraz de Oliveira, que gastou outros R$ 39 mil. Ao todo, a viagem dos dois saiu por cerca de R$ 78 mil, segundo o Portal da Transparência, ou seja, 26 vezes o teto da Rouanet. Deste montante, R$ 24 mil foram em diárias –R$ 12 mil para cada.
A reportagem questionou a Secretaria de Cultura sobre o que é o projeto audiovisual que o portal cita, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Renzo Gracie, estrela da luta internacional da família de mesmo nome, tem uma escola de jiu-jítsu em Nova York onde já treinaram celebridades como o ator Keanu Reeves e o cineasta Guy Ritchie, ex-marido de Madonna.
Gracie acaba de ser biografado pelo ex-secretário federal da Cultura, Roberto Alvim, demitido por fazer um vídeo em que faz apologia do nazismo. "Renzo Gracie: Uma Vida Heróica" será lançado no próximo dia 14 pela editora Auster.
A descrição de Alvim no site da editora não menciona sua breve passagem pelo governo federal e se concentra em destacar as suas realizações como diretor de teatro e dramaturgo.
Após a publicação da reportagem, Frias afirmou em seu Twitter que não pagou essa quantia pela viagem e que a finalidade da viagem "não foi da forma como colocaram nas inverídicas manchetes" [de imprensa]. Ele não disse, contudo, qual valor gastou nem o motivo de ter ido para Nova York.
Desde que assumiu o cargo, em junho de 2020, Frias realizou 26 viagens, sendo esta para Nova York a mais cara. Em seguida vem um trajeto para Roma, em agosto do ano passado, quando ele participou da Conferência dos Ministros da Cultura do G20 –esta custou pouco mais de R$ 30 mil.
Em seguida vem sua viagem para a Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, em maio do ano passado, ao custo de R$ 21.218 para a semana em que ficou na Itália. O evento homenageou Lina Bo Bardi, uma das mais importantes arquitetas brasileiras, que Frias revelou não saber quem era.
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