A vereadora Juhlia Santos (PSOL) é a mais nova vítima de ameaças machistas, racistas e homofóbicas na política mineira. Ela ocupa uma cadeira na Câmara Municipal de Belo Horizonte e começou a receber mensagens em meados de fevereiro. Diante da agressividade dos textos, ela decidiu denunciar e pedir proteção.

O boletim de ocorrência traz detalhes das ameaças encaminhadas à parlamentar, que é uma mulher trans e traz a bandeira da igualdade como um dos símbolos de seu mandato.

“Acha que pode abanar a bandeira da escória LGBT e sair impune? Engano seu. Já mapeei tudo: o tempo que leva ao portão, a cor do muro, a altura do muro, o número de câmeras, tudo. O carro preto não vai ter placa, não vai ter farol aceso, não vai ter erro. três homens, três tiros de 7,62 mm”, diz a mensagem anexada ao registro da ocorrência.

Juhlia Santos afirma que não se trata apenas de um ataque individual, mas de uma prática para tentar intimidar minorias. “A violência política de gênero, dirigida a quem ousa romper as barreiras impostas a corpos como o meu, uma mulher trans, preta e periférica ocupando um espaço de poder segue um padrão conhecido: tentar silenciar, expulsar e apagar quem representa mudanças reais”, argumenta.

Em um outro trecho das ameaças, o autor faz menções a parentes da vereadora. “Tenho cada nome, cada CPF, cada rota de ônibus que eles pegam. Vai chamar a polícia? Beleza. Amanhã mesmo o caixão lacrado do teu irmão mais novo chega na porta da funerária com um bilhete dentro do bolso”, diz.

A ameaça traz ainda trechos pouco precisos, mas que motivaram a vereadora a ampliar sua proteção. “Imediatamente tomei as devidas providências institucionais, além do reforço da segurança, minha e da minha família”, diz em nota. Uma das razões é o fato de que as ameaças coincidem com o início do julgamento da vereadora Marielle Franco. 

“É impossível ignorar o peso simbólico de essa ameaça vir á tona justamente no dia em que começa o julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle. A tentativa de calar mulheres negras na política é uma ferida ainda aberta na democracia brasileira”, afirmou.

Casos repetidos

Juhlia Santos se junta a um lista de parlamentares mineiras, das Câmaras Municipais e da Assembleia, que tem sofrido ameaças constantes. Em Belo Horizonte, Cida Falabella e Iza Lourença, também do PSOL, também foram alvo e tiveram seus casos levados ao Ministério Público.