XENOFOBIA

 
 

A discussão ocorreu na sessão ordinária desta quarta-feira (5/8), quando os parlamentares analisavam um projeto que institui a Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua. Depois de defender seu posicionamento na tribuna, Vanda foi interpelada por Tathiana, que iniciou o diálogo perguntando sobre sua cidade de origem.

"Vereadora, você é de Campos Sales, no Ceará?", perguntou Tathiana Guzella. "Eu sou de Campos Sales, no Ceará", respondeu Vanda de Assis.

Na sequência, a parlamentar do PL associou a defesa feita por Vanda ao Partido dos Trabalhadores e questionou por que ela havia deixado o estado natal para viver em Curitiba.

Tathiana Guzella disse: "Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui."

A reação foi imediata. Vanda classificou a manifestação como xenofóbica e afirmou, ainda durante a sessão, que esse tipo de conduta configura crime. Diante do aumento da tensão entre as parlamentares, o presidente dos trabalhos, vereador Leonidas Dias (Podemos), interrompeu a fala de Tathiana Guzella ao desligar o microfone, informando que ela teria oportunidade de concluir o pronunciamento posteriormente.

Após o encerramento da sessão, Vanda informou que tentou registrar o episódio junto à Polícia Militar. Segundo a vereadora, a corporação foi acionada, mas nenhuma equipe compareceu ao Legislativo municipal para atender à ocorrência.

Veja:

 O que dizem as vereadoras 

A repercussão do caso levou Tathiana Guzella a divulgar uma nota na qual nega ter praticado xenofobia. A vereadora sustenta que a declaração foi retirada de contexto porque não conseguiu concluir o raciocínio iniciado durante o debate e afirma que também adotou medidas judiciais contra a colega.

"A vereadora Delegada Tathiana Guzella repudia qualquer tentativa de atribuir à sua manifestação caráter xenofóbico. Tal acusação não encontra respaldo em sua trajetória pessoal nem em sua atuação parlamentar. Cumpre ressaltar ainda que a vereadora Delegada Tathiana Guzella já registrou boletim de ocorrência em face da vereadora Vanda de Assis pela prática de crime contra a honra, cabendo às autoridades competentes a devida apuração e responsabilização, na forma da lei", afirma o comunicado.

 

Por sua vez, Vanda de Assis declarou que não considera o episódio uma simples divergência entre adversárias políticas e defendeu que situações como essa sejam tratadas com a gravidade prevista na legislação.

 

 "Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação. O que mais me indigna é pensar que isso aconteceu dentro da Câmara Municipal, a casa do povo, em uma sessão pública transmitida ao vivo. Se uma parlamentar se sente à vontade para praticar xenofobia nesse espaço institucional, imagine o que vivem diariamente tantas pessoas migrantes que enfrentam o preconceito longe das câmeras e sem a visibilidade de um mandato", lamentou