A alta nos gastos com pessoal nos poderes mineiros voltou a entrar no radar do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Os conselheiros do órgão aprovaram, nesta quarta-feira (29/4), a emissão de um alerta ao governador do estado, Mateus Simões (PSD), e ao presidente do Tribunal de Justiça (TJMG), desembargador Luiz Carlos de Azevedo, em função na elevação das despesas com o funcionalismo em comparação aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

Outros procedimentos do tipo foram feitos ao longo do mandato do ex-governador Romeu Zema (Novo). O alerta foi aprovado durante a 7ª sessão do Pleno, sob a relatoria do conselheiro Gilberto Diniz. Ao aprovar o recado ao Executivo e Judiciário, o TCE se baseou no Relatório de Gestão Fiscal, publicado pelo Tesouro Nacional em fevereiro, referente ao 3º quadrimestre de 2025. O estudo mostrou que especificamente no Palácio Tiradentes, os gastos do governo com pessoal estão no limite da LRF.

A norma prevê que as despesas devem corresponder a no máximo 49% da Receita Corrente Líquida Ajustada (RCL). O governo de Minas informou ao Tesouro um gasto de R$ 53,8 bilhões, que equivale a 48,22% da RCL. O TCE também levou em consideração dados de um estudo técnico, feito no Tribunal, que apontou um custo com pessoal superior ao permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. 

“Com isso, o governo estadual deve seguir as restrições previstas na lei até que os gastos voltem ao limite permitido”, informou o TCE. No caso do TJMG, o Relatório de Gestão Fiscal indicou uma despesa de R$ 5,9 bilhões com o funcionalismo no 3º quadrimestre de 2025, valor que corresponde a 5,35% da Receita Corrente Líquida, no limite de 6% definido pela LRF para o Judiciário. 

Conforme o estudo do Tesouro Nacional, entre setembro e dezembro de 2025, a folha do TJMG chegou ao custo de R$ 6,06 bilhões. A reportagem pediu esclarecimentos ao governo de Minas Gerais e ao TJMG sobre o alerta do Tribunal de Contas e aguarda retorno.