BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta terça-feira (27/1) que não aceitaria se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pedisse a ele para concorrer à Presidência da República.

A declaração foi feita às vésperas do encontro entre os aliados na Papudinha, em Brasília, marcado para quinta-feira (29/1), e é uma resposta de Tarcísio a quem o critica por não aderir enfaticamente à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.

"Eu diria não", afirmou Tarcísio à "Jovem Pan" de Sorocaba (SP) quando questionado o que ocorreria se Bolsonaro decidisse indicá-lo para concorrer à Presidência, ao invés do filho Flávio. "Na última visita que eu fiz ao Bolsonaro, ele estava na prisão domiciliar, e antes de ele vir para o regime fechado, ele me perguntou: 'e aí, Tarcísio, eleição presidencial: qual é sua posição?'", prosseguiu.

"Eu disse: minha posição é ficar em São Paulo", completou. O governador também ressaltou que disputar a reeleição para o Palácio Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, é uma atitude coerente.

A conversa com Bolsonaro aconteceu, segundo Tarcísio de Freitas, em 29 de setembro, e o governador reforçou ao ex-presidente não ter interesse em disputar o Planalto. Ainda que negue publicamente a intenção, Tarcísio não escondeu o desejo de aliados próximos.

A candidatura dele agrada caciques do centrão. Para eles, o governador é um nome forte e poderia ter menor rejeição diante do eleitorado quando comparado com um dos filhos de Bolsonaro.

O ex-presidente frustrou o grupo ao escolher o filho Flávio como seu herdeiro político. Desde a indicação do senador, pessoas próximas a ele têm cobrado de Tarcísio apoio mais enfático à pré-candidatura. A tensão entre eles se agravou quando, na semana passada, Tarcísio desmarcou a visita a Bolsonaro na Papudinha alegando compromissos pessoais.

Na data, entretanto, a agenda dele não registrou eventos. Após o cancelamento, o governador de São Paulo pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma nova data para ver Bolsonaro. A Corte marcou o encontro para a próxima quinta-feira.