REUNIÃO

Os 513 deputados federais brasileiros se preparam para, nesta semana, retomar os trabalhos em Brasília. Sob o comando do novo presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), os parlamentares deverão manter-se sob um regime de fortalecimento do Legislativo em relação aos outros dois poderes: cobrando altos preços nas negociações com o Palácio do Planalto; e batalhando pela liberação das emendas parlamentares junto a um Supremo Tribunal Federal (STF) que volta a cobrar transparência sobre os recursos movimentados no Congresso Nacional.

Com seus 53 integrantes, a bancada mineira da Câmara dos Deputados é a segunda maior da Casa, atrás apenas dos 70 nomes paulistas. De grande relevância para as movimentações nacionais, o heterogêneo bloco das Minas Gerais terá em 2025 suas pautas idiossincráticas, a mais importante delas relativa à adequação do estado ao caminho de refinanciamento da bilionária dívida com a União. Em que pese já terem participado da eleição do novo comando da Casa, o ano dos parlamentares mineiros já tem data para começar oficialmente: a próxima quarta, 5 de fevereiro.

Na data, acontece a primeira reunião da bancada. Entre os temas da pauta está a própria organização do grupo, comandado desde 2023 por Luiz Fernando Faria (PSD). À reportagem, o deputado disse que há uma cobrança interna pelo estabelecimento de uma regra mais clara sobre a coordenação do grupo e esta é a motivação inicial para a discussão desta semana.

“Eu estou fazendo uma reunião da bancada na quarta-feira para a gente conversar exatamente sobre os critérios de coordenação de bancada. Os deputados estão reivindicando há um tempo os critérios para indicar e eleger as lideranças e vamos definir quem ficará no comando. Se eles quiserem que eu continue, eu fico, ou vamos fazer um rodízio bienal ou anual. A partir dessa definição, vamos começar a estudar as prioridades para Minas e para o Brasil”, afirmou o pessedista.

O PSD de Faria faz parte da bancada governista tanto em relação a Lula como em relação a Romeu Zema (Novo), no campo doméstico, além de ter feito Fuad Noman prefeito da capital do estado. Com uma reforma ministerial nos planos do Planalto, o deputado mineiro ainda afirmou que o objetivo da legenda em Minas é garantir mais pastas e manter Alexandre Silveira no comando de Minas e Energia.

“O PSD está reivindicando ministérios mais expressivos politicamente. Temos o ex-deputado André de Paula, que é ministro da pesca, uma pasta que atende poucas demandas específicas de Minas Gerais. Em relação a Silveira, vamos trabalhar para mantê-lo na pasta”, projetou.

Base e oposição

De maneira geral, os deputados aguardam as definições da reunião de quarta-feira para estabelecer prioridades nas pautas reivindicadas em conjunto. A bancada mineira conta com nomes importantes da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, concentrados no PL de Nikolas Ferreira. O presidente estadual do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Domingos Sávio, também é deputado federal e voz atuante nas críticas contra o presidente. A reportagem tentou contato com o parlamentar para consultar sobre o possível desejo de ter um representante coordenando os mineiros na Câmara, mas não teve resposta.

Do outro lado, os mineiros têm em Rogério Correia (PT) e Reginaldo Lopes (PT) dois vice-líderes do governo Lula. À reportagem, Correia disse que não tem reclamações sobre a coordenação de Luiz Fernando Faria, mas que optará por apoiar um correligionário no caso do deputado federal Paulo Guedes (PT) se lançar como postulante ao comando.

Líder do governador Romeu Zema na Casa, Zé Silva (Solidariedade) disse que espera uma definição sobre a estrutura de comando da bancada para estruturar as pautas comuns dos parlamentares. Diante do embate entre parlamentares e STF pela liberação das emendas PIX, o deputado aposta em focar em obter recursos não vinculados a este modelo de financiamento, mas com cifras mais robustas.

“Queremos continuar com projetos de obras de infraestrutura logística, rodoviária e ferroviária. Com a nova sistemática colocada nessa queda de braço com o STF, precisamos colocar a bancada não para não trabalhar por recursos pulverizados, mas os estruturantes. Temos que trabalhar em projetos mais globais, melhorar a logística e fortalecer as entregas para as forças de segurança com viaturas e equipamentos”, destacou o parlamentar que representa o governo estadual em Brasília.

Vetos ao Propag

O ano começou com a sanção parcial do Programa de Pleno Pagamento das Dìvidas dos Estados (Propag), projeto arquitetado pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para refinanciar os débitos em 30 anos e criar mecanismos para reduzir os juros cobrados nas parcelas. Zema elegeu os vetos feitos a pontos paralelos da proposta como seu mais recente material de embate com Lula e articula pela derrubada dos pontos no Congresso.