Mateus Simões (PSD) tomou posse neste domingo (22/3) como governador de Minas Gerais prometendo dar continuidade ao governo Romeu Zema (Novo), adotar linha dura no combate à criminalidade e no enfrentamento à violência contra a mulher e estreitar relações com as prefeituras do interior, onde segundo ele, vivem 80% da população mineira. Pré-candidato à reeleição, Simões anunciou também que a partir da próxima quarta (25/3) vai levar, simbolicamente, a capital do estado para cada uma das 16 regiões administrativas de Minas durante os próximos cem dias de governo.
 
“Quero fazer mais do que visitar, mas vou transferir a sede administrativa para cada uma das regionais, no entendimento que cada uma dessas regiões é difícil de ser compreendida à distância”, afirmou Simões durante seu discurso de posse em cerimônia realizadas na manhã de domingo na sede da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sem a presença de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Zema participou somente da cerimônia simbólica de transferência do cargo realizada no Palácio da Liberdade, em evento fechado ao público.

As viagens do governador, segundo apurou a reportagem, vão começar por Uberlândia, no Triângulo, e, na sequência, por Ipatinga, no Vale do Aço, e Ubá, na Zona da Mata, uma das cidades destruídas pela chuva que atingiram a região há cerca de 15 dias.

Divergências

Simões também aproveitou sua posse na ALMG para fazer, mais de uma vez, uma crítica velada aos políticos que usam as redes sociais para fazer denúncias, caso de seu principal concorrente ao governo de Minas, o senador Cleitinho (Republicanos).

"A verdade é que problemas reais não podem ser resolvidos por planilhas burocráticas, nem por vídeos nas redes sociais", afirmou Simões. O agora governador disse que pretende trabalhar para os "invisíveis que a burocracia insiste em ignorar, criando problemas que impedem a solução das questões reais, criando problemas que são denunciados por vídeos de internet que não explicam como as soluções vão chegar". 

O governador também disse que pretende ter com os prefeitos uma relação de parceria e citou nominalmente duas prefeitas, a de Uberaba, Elisa Araújo (PSD) e a de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), prometendo manter diálogo com todos os municípios, independente da questão ideológica. Segundo ele, a escuta dos prefeitos e também dos parlamentares é fundamental "para formar o mapa exato daquilo que a população quer e precisa".

Próximos meses

Em seus dois discursos, feitos na ALMG e no Palácio da Liberdade, Simões disse que sua posse não muda os rumos da administração, já que era ele, como vice-governador, em  função delegada por Zema, quem coordenava todas as ações do secretariado.

Na cerimônia de troca de cargo, na presença de Zema, já no Palácio da Liberdade, o novo governador teceu diversos elogios ao seu antecessor e agradeceu por receber, segundo ele, um estado em melhores condições financeiras.

"Sou grato porque nós estamos falando de um estado que hoje tem as contas em dia, que tem condição de seus investimentos, que pode ir mais longe porque ele fez o mais difícil. Como governador. Ele gosta de dizer? Ele não se preocupou em fazer o fácil ou que fica pronto rápido", afirmou.

Segundo ele, o "maior conjunto de obras já idealizado para o estado de Minas Gerais" não será inaugurado por Zema. "Mas ele nunca se incomodou com o fato de que ele não seria capaz de colher o resultado imediato, porque ele sempre soube que era mais importante fazer o certo do que fazer o rápido. Obrigado, governador Romeu Zema. Eu devo muito ao senhor", disse.