O Botafogo elegeu João Paulo Menna Barreto como novo integrante do Conselho de Administração da SAF, em meio à crise administrativa e ao afastamento de John Textor do comando da sociedade. Vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube social e secretário municipal de Meio Ambiente em Belo Horizonte, o advogado ocupa a vaga deixada por Durcesio Mello, que renunciou para assumir a diretoria geral de forma interina.
A mudança ocorre após decisão cautelar de um tribunal arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV), que determinou o afastamento de Textor no contexto de uma disputa entre a SAF e a Eagle Bidco. A medida não é definitiva e será reavaliada na próxima semana. O mesmo tribunal também cancelou uma assembleia de acionistas que discutiria o aporte de R$ 125 milhões na SAF e a emissão de novas ações com objetivo de transferência de controle.
Ao comentar a chegada ao conselho, João Paulo Menna Barreto afirmou: “Sou vice-presidente do Conselho Deliberativo. Temos uma história no clube e fomos designados pelo presidente João Paulo Magalhães Nunes para exercer essa função difícil, neste momento complicado do clube, em busca de diálogo e de uma solução efetiva e rápida para a resolução desse problema”.
O novo conselheiro também destacou a necessidade de construção conjunta. “A solução passa, obrigatoriamente, pelo consenso e pela conversa. Portanto, é necessário que haja pessoas com capacidade de diálogo e, principalmente, ligadas historicamente ao clube, que sejam botafoguenses de toda a vida, e não de passagem, e que queiram melhorar o futebol”, disse.
Advogado com atuação nas áreas desportiva e pública, ele foi vereador por dois mandatos em Carmo do Rio Claro (MG) e ocupa cargo na administração municipal de Belo Horizonte. No currículo, constam passagens como assessor legislativo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Presidência do Congresso Nacional, além de atuação como diretor de Relações Institucionais da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Entenda a situação no clube
O afastamento de John Textor ocorre um dia após o pedido de recuperação judicial da SAF, que obteve decisão liminar na Justiça comum antecipando os efeitos do processo por 60 dias, suspendendo cobranças de credores. O movimento não teria sido previamente aprovado pelo clube associativo e pelos demais acionistas.
A SAF enfrenta endividamento estimado em cerca de R$ 2,5 bilhões e dificuldades de fluxo de caixa, com impacto no pagamento de compromissos, incluindo salários. A disputa com a Eagle Bidco se intensificou após o controle da empresa passar para a Ares Management, credora de Textor na operação de aquisição do Lyon.
O impasse envolve divergências sobre recursos e o modelo de gestão financeira entre os clubes do grupo. Textor defende valores a receber do Lyon, enquanto a Eagle contesta e levou o caso à arbitragem. Tentativas do empresário de alterar a estrutura de controle também motivaram a disputa jurídica.






