ELEIÇÕES 2022

Indicado por Lula (PT) para conduzir a formação do palanque com Alexandre Kalil (PSD) em Minas Gerais, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Reginaldo Lopes (PT), disse nesta terça-feira (17) a O TEMPO que “a priori, ninguém pediu” para ele retirar a pré-candidatura ao Senado.

“De concreto, a novidade é que, de fato, o PSD propôs que o PT ficasse com a vaga de vice na chapa (do Kalil). Segundo: o presidente Lula pediu que eu resolvesse o palanque e acabasse de arrematar”, disse Reginaldo Lopes. Na segunda-feira (16), ele se reuniu com Lula e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em São Paulo. “A partir desse comando dado, vou agora começar as conversas e falar com todo mundo”.

Questionado se isso põe fim à pré-candidatura dele ao Senado, Lopes disse que “a priori, ninguém pediu” para ele retirar. "Tem uma proposta na mesa de ser o vice. O presidente Lula pediu para conversar e ver se o partido fica na vice, se eu tenho disposição (para ser o vice) ou quem ficará no posto”, explicou o deputado. “Vamos conversar. Estou à disposição do projeto nacional, do que for melhor pro projeto nacional”.

A declaração ocorreu de forma praticamente simultânea a uma reunião de Kalil com as bancadas federal e estadual do PT na tarde desta terça-feira para discutir a indicação de um vice petista para a chapa. A informação foi publicada primeiro pela rádio Itatiaia e confirmada por O TEMPO com pessoas próximas do ex-prefeito de Belo Horizonte. Segundo essas fontes, Lopes, apesar de ser o responsável por conduzir a aliança Lula-Kalil, não está presente na reunião.

Na conversa com O TEMPO, Reginaldo Lopes não descartou inclusive a possibilidade de palanque duplo ao Senado, com a candidatura dele e de Alexandre Silveira (PSD). Reginaldo Lopes ponderou, no entanto, que é preciso aguardar uma decisão da Justiça Eleitoral para esclarecer se o arranjo seria possível do ponto de vista da legislação.

O principal impasse para a aliança entre Lula e Kalil é justamente a vaga ao Senado na chapa. O grupo mais próximo a Silveira não aceita a hipótese de palanque duplo porque considera que, como atual senador, ele tem o direito de disputar a reeleição sem ter rivais na mesma chapa.


Nos bastidores, há a especulação de que, além de indicar o vice na chapa de Kalil, o PT pode escolher o primeiro suplente de Alexandre Silveira. Questionado sobre esse ponto, Lopes afirmou que ainda não há nada definido sobre o desenho da chapa e por isso ele vai conversar com Silveira, que também é o presidente do PSD de Minas, para acertar a composição.


Segundo o petista, a tendência é pelo acordo. “Há desejo do Kalil e do presidente Lula por uma aliança entre os dois e o palanque em Minas Gerais. Em quinze dias a gente resolve tudo”, projeta Reginaldo Lopes.