A informação de que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, iniciou conversas com o MDB de Baleia Rossi para discutir uma possível aliança em Minas Gerais provocou reação dentro do partido no estado. Lideranças petistas mineiras dizem que não foram consultadas e avisam que qualquer acordo fechado sem participação do diretório estadual corre o risco de fracassar antes mesmo de nascer.

Nos bastidores, dirigentes de diferentes correntes internas do PT têm repetido o mesmo recado: a construção da chapa de 2026 precisa passar por Minas.

A insatisfação aumentou após circular a informação de que Edinho Silva teria marcado uma reunião para a próxima semana com Baleia Rossi e o pré-candidato do MDB ao governo mineiro, Gabriel Azevedo, para avançar nas negociações de uma possível aliança entre os partidos.

Questionados sobre o encontro, líderes do PT mineiro minimizaram o peso da articulação nacional e reforçaram que a palavra final será do estado. “Não estou sabendo, mas, se acontecer, não muda os planos. A decisão vai passar por Minas”, afirmou uma liderança petista ouvida pela reportagem.

O movimento recente não é um episódio isolado. Em novembro do ano passado, integrantes do PT mineiro já haviam demonstrado desconforto quando foram surpreendidos pelo anúncio de uma visita do dirigente nacional a Belo Horizonte para uma reunião com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT). A conversa, que acabou adiada, tinha como objetivo discutir a construção de um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas.

Mais recentemente, agendas reservadas entre Edinho e o senador Rodrigo Pacheco (PSD), tratando do cenário político mineiro, também ocorreram sem comunicação prévia à parte das principais lideranças estaduais do partido.

As lideranças do PT mineiro concordam que a prioridade é a estratégia presidencial para garantir a reeleição de Lula. Mas isso não pode ser feito de forma a excluir o cenário político local.

Enquanto Brasília faz conversas por alianças, o diretório estadual segue tentando manter viva a discussão sobre candidatura própria ao governo de Minas.

Nesta sexta-feira (29/5), o PT de Minas realiza uma reunião que deve definir um calendário interno para debater o tema — movimento que vai na direção oposta das negociações conduzidas pela cúpula nacional do partido.