As mudanças e reviravoltas que marcaram o processo de privatização da Copasa não preocupam o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD). Em conversa com O TEMPO, ele afirmou que a prioridade do governo é garantir a universalização dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto no estado e disse confiar na estrutura montada para conduzir o leilão.

“Estou acompanhando com todo o cuidado e, no caso de Minas, com a certeza de que o processo não só está sendo o mais rigoroso tecnicamente até agora, como as exigências de universalização estão bem estruturadas”, afirmou.

 Questionado sobre o pedido de adiamento do processo formalizado pela empresa nesta quarta-feira (27/5) e sobre a redução do valor de referência anunciada nesta quinta-feira (28/5), Simões disse confiar nos responsáveis pela modelagem da operação.

“O processo é todo público e controlado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Os assessores jurídicos e financeiros são os maiores especialistas do país, e os habilitados são os maiores operadores de saneamento”, declarou.

O processo de privatização da Copasa começou no ano passado, com debates na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O primeiro passo foi a derrubada da exigência de realização de referendo popular para mudanças na estrutura societária da empresa, aprovada em novembro de 2025.

Na sequência, o governo articulou sua base na Assembleia e conseguiu aprovar, no fim do ano passado, o projeto de lei que autoriza a venda do controle acionário da companhia. A articulação contou com apoio do presidente da ALMG, deputado Tadeu Leite (MDB).

A justificativa do governo para a privatização é a necessidade de arrecadar recursos para viabilizar a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). O programa cria condições mais vantajosas para renegociação da dívida do estado com a União, atualmente estimada em cerca de R$ 182 bilhões.

Nesta quinta-feira, a Copasa divulgou um novo comunicado ao mercado financeiro informando que o valor mínimo de referência para o leilão foi fixado em aproximadamente R$ 9 bilhões. O preço mínimo estabelecido é de R$ 47,23 por ação.

O valor corresponde ao pacote de ações equivalente a 30% do total da companhia, participação que garantirá ao comprador o controle acionário da estatal.

As empresas Aegea e Equatorial apresentaram propostas e seguem habilitadas no processo. Agora, as ofertas serão analisadas pela companhia antes da etapa final do leilão.