Isadora Albernaz, José Marques e Nathalia Garcia - A Polícia Federal (PF) intimou o presidente do Banco Central (BC) Gabriel Galípolo, o ex-presidente Roberto Campos Neto e o dono do BTG, o banqueiro André Esteves, para prestarem depoimento como testemunhas no âmbito do inquérito que investiga o Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado em novembro do passado.

O atual diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, também foi chamado para falar à PF. A convocação aconteceu no início de agosto, e as audiências acontecerão por vídeoconferência. O trecho do documento ao qual a reportagem teve acesso não indica quando elas serão realizadas.

A intimação foi noticiada pelo "Estado de S. Paulo" e confirmada pela "Folha de S. Paulo". Procurada, a assessoria do BC ainda não se manifestou. Galípolo e Aquino também não se posicionaram. O ex-presidente do Banco Central, Campos Neto, respondeu por meio de seus advogados que ainda não foram intimados.

"A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor", afirmam em nota.

O BTG não irá se manifestar. 

Segundo informações do "Estadão", o banco de André Esteves teria descoberto uma fraude de R$ 32 bilhões no Master após uma due diligence — uma investigação minuciosa sobre riscos e oportunidades de investimento. 

As investigações envolvem dois ex-servidores do BC: Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. Segundo o inquérito, eles teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC, passando informações sobre a fiscalização do banco.

A defesa de ambos negam que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.

Paulo Sérgio Neves Ailton de Aquino já prestou depoimento à corporação em maio deste ano. Na ocasião, ele afirmou que os dois ex-integrantes da cúpula da autoridade monetária participaram de várias reuniões com a Polícia Federal, na qual discutiram o caso do Master, antes de se tornarem alvos de suspeição.

O diretor de Fiscalização também disse que havia um ambiente hostil durante o processo de decisão sobre o futuro do banco de Vorcaro, com intensos vazamentos de informações. Segundo o relato, ele e Galípolo não confiavam em ninguém naquele momento e já haviam tomado a decisão pela liquidação.