A estratégia de Patrus Ananias (PT) para lidar com a “herança” do governo Fernando Pimentel para a campanha petista ao governo de Minas será manter uma “distância de segurança”. O candidato pretende defender o correligionário diante das críticas à gestão, mas sem transformar a eleição em uma discussão sobre o ex-governador.

Em entrevista exclusiva ao Café com Política, de O TEMPO, Patrus afirmou que ele e Pimentel construíram trajetórias próprias e que pretende levar ao eleitor sua experiência e suas propostas para o governo do estado.

“Temos relações e diálogo (com Pimentel), mas eu apresento ao povo de Minas a minha história, os meus compromissos e o que nós estamos assumindo para bem governarmos Minas Gerais”, afirmou.

Patrus citou a atuação nos ministérios que comandou durante governos petistas, a passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte e os mandatos na Câmara dos Deputados como exemplos de sua trajetória política. “Tudo isso faz parte da minha história e eu tenho orgulho”, disse.

O petista também saiu em defesa de Pimentel ao afirmar que parte das acusações feitas contra o ex-governador estaria sendo derrubada na Justiça. “Sei que há muita injustiça certamente cometida contra ele. Até porque está sendo absolvido em todos os processos”, afirmou Patrus.

Pimentel foi o único governador eleito pelo PT em Minas Gerais. Ele venceu a eleição de 2014 e deixou o cargo, em 2019, sob forte desgaste político, em meio a atrasos no pagamento de servidores e fornecedores e a uma grave crise fiscal.

Foi durante a gestão Pimentel, porém, que Minas conseguiu na Justiça uma decisão que suspendeu o pagamento das parcelas da dívida do Estado com a União. A medida foi posteriormente utilizada pelo governo de Romeu Zema (Novo) para aliviar a pressão sobre o caixa estadual e retomar o pagamento de outras obrigações.

Olhar para o futuro

Prefeito de Belo Horizonte eleito em 1992, Patrus afirmou que não pretende fazer da campanha uma disputa sobre o passado. Aos 34 anos daquela primeira eleição municipal, ele diz que quer concentrar o discurso nos problemas atuais de Minas e nos projetos para o futuro.

“Ficar brigando com os outros, analisando pessoas? Não. O que está me dando motivação nessa campanha é estar cada vez mais próximo do povo de Minas. Eu sou uma pessoa muito encantada com Minas”, afirmou ao Café com Política.

Patrus disse que pretende estruturar seu eventual governo em três pilares: ética e transparência; participação popular; e reforço e avaliação das políticas públicas sociais.

Na avaliação do candidato, os governos petistas contribuíram para avanços no país, mas ainda há demandas básicas que precisam ser atendidas. “O Brasil avançou muito. Mas eu penso que é fundamental nós mantermos o atendimento básico para as pessoas e famílias que ainda precisam”, resumiu.