Brasília - O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) disse, nesta terça-feira (7), no plenário do Senado Federal, que as obras inacabadas de hospitais regionais em Minas Gerais são símbolos do “desperdício de recursos” no estado. Na ótica do senador, as estruturas, que deveriam salvar vidas com celeridade e ainda desafogar os serviços públicos de saúde de Belo Horizonte e dos grandes centros do estado, padecem de uma “paralisia crônica”. “Outro ponto sensível é a paralisia crônica nas obras dos hospitais regionais. Essas obras deveriam ser os pilares da descentralização da saúde mineira, mas tornaram-se símbolos de ineficiência e desperdício de recursos. Essa lacuna estrutural sobrecarrega os grandes centros e força uma dependência de consórcios intermunicipais que nem sempre garantem a continuidade do cuidado”, afirmou Pacheco, ao celebrar o Dia Mundial da Saúde e a relevância do Sistema Único de Saúde (SUS) e da ciência.

Ele destacou a necessidade de uma correção profunda nesse anacronismo mineiro na área da saúde pública. “Corrigir essas distorções históricas, reduzir as desigualdades regionais: essa deve ser a nossa prioridade. A saúde precisa chegar aonde a mineira e o mineiro vivem e trabalham. Isso é justiça distributiva, é respeito, é dignidade. É também uma medida de eficiência sistêmica. Encurtar distâncias é salvar vidas”, disse. Pacheco disse que as ações governamentais, em razão da grande extensão territorial de Minas Gerais, exigem planejamento e estratégia. “Gerir a saúde nesse território é uma missão que exige planejamento científico, investimento estratégico e regionalização responsável. Não podemos concentrar a alta complexidade apenas na capital e nos grandes centros”, afirmou.

O senador destacou que essa iniciativa cabe ao poder público comprometido com a causa da vida humana. “Regionalizar a saúde é um imperativo de equidade. O Estado brasileiro tem a obrigação de assegurar que o CEP não seja um obstáculo para o atendimento. Seja em Minas, seja em qualquer canto de nosso país”, evidenciou. *Pandemia da Covid-19* Na sua fala, o senador Rodrigo Pacheco relembrou a pandemia da Covid-19 e sua atuação como presidente do Senado e do Congresso Nacional no combate à crise sanitária no país. “Rememoro um passado não tão distante, quando enfrentávamos a pandemia da COVID-19 e, com o esforço do Congresso Nacional, a partir da aprovação do Projeto de Lei 534 de 2021, de minha autoria, pudemos colocar isso em prática. A Lei das vacinas viabilizou a compra dos imunizantes contra o coronavírus e salvou milhares de vidas. Isso é ciência. Isso é cuidado com o cidadão”, lembrou.

*Dia Mundial da Saúde* O senador, ao celebrar a data, ainda alertou para a urgência do combate à desinformação. “Para comemorar a data, a OMS escolhe, todos os anos, um tema diferente. Para este ano de 2026, o lema é "Juntos pela Saúde. Apoie a Ciência". Mais do que um slogan, essa convocação sintetiza o momento crítico que vivemos. Momento em que a desinformação sobre saúde avança, em que o ceticismo com as vacinas ressurge, em que a politização da saúde pública ameaça conquistas construídas ao longo de décadas”, frisou. Segundo ele, não cabe o “improviso” ao se estabelecer uma linha de defesa da comprovação científica. “A resposta a tudo isso não é o improviso. É a ciência. É a evidência. É a política pública fundamentada no conhecimento rigoroso”, destacou.