O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que uma eventual reforma ministerial é decisão exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nessa segunda-feira (10/2), Múcio disse que "ninguém sabe fazer mais política” do que o petista.

“Ele é encantador no contato e nos argumentos. Ele convence as pessoas. Eu acho que essa reforma (ministerial) cabe somente a ele dizer da necessidade. Tem ministério que funciona melhor, tem outros que funcionam com mais dificuldade. No meu caso, por exemplo, eu tenho muita dificuldade por falta de recursos”, disse o ministrO ministro também comentou sobre as investigações da tentativa de golpe nas eleições de 2022. “Nós vamos saber se houve um golpe, verdadeiramente arquitetado, se nos inquéritos constar as denúncias”, pontuou.

Sobre os ataques de 8 de janeiro, Múcio afirmou que nenhum dos invasores estava armado e negou envolvimento das Forças Armadas. Segundo ele, a invasão às sedes dos Três Poderes não contou com o apoio das Forças Armadas. “Os civis foram, os militares não”, diz.

“Quem organizou aquilo [invasão] não foi, e quem desejava aquilo desistiu, desapareceu. Ficou só aquele enchimento que fez aquele quebra-quebra todo”, completa.

Ele também se manifestou sobre a possibilidade de anistia aos invasores, defendida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Para o ministro, os organizadores devem receber a pena máxima, enquanto aqueles que apenas depredaram patrimônio público devem ter punições diferenciadas.

“Estou louco para saber quem foram esses organizadores. Para eles, a pena máxima. Sempre defendi que deveria existir uma dosimetria. Há aqueles que quebraram uma cadeira e aqueles que planejaram esse movimento, esse golpe. Se tudo for comprovado, que este pague", afirmou Múcio.

Para Múcio, há diferentes níveis de envolvimento: “E há também aqueles que apenas pegaram um ônibus, tiraram fotos com o celular, os que entraram quebrando tudo e os que ficaram do lado de fora. Tem todo tipo de envolvimento. Você não pode condenar da mesma forma quem armou e financiou o movimento e quem apenas esteve lá participando. Foi isso que defendi. Essa é uma decisão que cabe ao Congresso Nacional", completou.