Encontro no BDMG

Um dia após trabalhadores da educação pressionarem o governo de Minas por recomposição salarial de até 41,83%, o vice-governador Mateus Simões afirmou nesta quarta-feira (18) que não pretende ceder à pressão do funcionalismo nem ampliar o reajuste anunciado pelo Estado. Segundo ele, o aumento de 5,4% já representa o limite possível dentro do orçamento.

As declarações foram dadas durante um bate-papo com jornalistas realizado na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Ano de eleição é sempre ano de greve. Não me tira do meu centro de equilíbrio”, disse Simões, que assume o governo do Estado no fim de semana.

Sem negociação por categoria

O vice-governador também descartou a possibilidade de negociações específicas por carreira, prática que, segundo ele, contribuiu para distorções salariais ao longo dos anos. “Não vou fazer negociação carreira a carreira. Não concordo. Foi assim que chegamos a essa situação, feita nos Governos Anastasia e Pimentel, atendendo uma categoria em detrimento de outras”, afirmou.

De acordo com ele, o reajuste linear oferecido pelo Executivo foi resultado de um esforço dentro das limitações fiscais do Estado. “Fizemos um esforço enorme para achar dentro do orçamento o reajuste que estamos oferecendo, acima da inflação. O que a gente consegue dar neste momento é isso”, disse.

Situação fiscal limita reajustes

Simões reforçou que não há espaço, neste momento, para concessão de ganhos reais ou pagamento retroativo aos servidores. “Gostaria muito de assumir o compromisso de que teremos reajuste inflacionário sempre. Em algum momento farei isso. Mas ganho real ou retroativo neste momento não condiz com a situação fiscal de Minas”, afirmou.

Pressão da educação

As declarações ocorrem após mobilização de trabalhadores da educação, que reivindicam recomposição salarial de 41,83% e cobram abertura de negociação com o governo estadual. Parte da categoria está em greve há duas semanas e critica o reajuste de 5,4%, considerado insuficiente para cobrir perdas acumuladas entre 2019 e 2025.

Em audiência realizada na Assembleia Legislativa (ALMG) nesta terça-feira (17), representantes do setor afirmaram que a defasagem salarial tem impactado a permanência de profissionais na carreira e cobram uma agenda de diálogo com o Executivo. Apesar da pressão, o governo ainda não sinalizou abertura de negociação com os sindicatos.