A posição que nomes como o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, o governador Mateus Simões e o ex-chefe do Ministério Público de Minas Gerais ocuparão nas eleições de outubro deve ser oficializada neste fim de semana. O rumo das lideranças será selado nas convenções partidárias do MDB, PSB e PSD, legendas das quais eles fazem parte. Todas serão realizadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)

Previstas no calendário da Justiça Eleitoral, as convenções são a etapa em que os partidos chancelam formalmente as candidaturas. Nas eleições deste ano, estarão em jogo os cargos de governador, duas vagas ao Senado por estado, deputados federais e estaduais, além da Presidência da República.

Pela legislação, o prazo para a realização dos encontros partidários termina em 5 de agosto. Eventuais ajustes ou trocas na composição das chapas ainda podem ocorrer até 15 de agosto, data limite para o registro oficial das candidaturas na Justiça Eleitoral. A propaganda e os atos de campanha começam oficialmente no dia seguinte, 16.

MDB e Gabriel Azevedo

A maratona de convenções na ALMG começou neste sábado (1º/8), às 10h, quando o MDB reúniu seus delegados e militantes no Plenário da Casa Legislativa. O ato deve chaouncelar oficialmente a candidatura do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) ao governo de Minas, além de definir possíveis alianças para a disputa ao Senado Federal. As chapas proporcionais para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa também devem ser estabelecidas.

Na véspera do encontro, em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31/7), Gabriel reafirmou que mantém de forma irrestrita sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes — lançada há 269 dias — e abordou os bastidores de reuniões recentes com o governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD).

Segundo o emedebista, as conversas ocorreram a convite do chefe do Executivo mineiro e contaram, na segunda rodada, com as presenças do presidente estadual do PSD, deputado estadual Cássio Soares (PSD-MG), e do presidente estadual do MDB, deputado federal Newton Cardoso Júnior (MDB-MG).

Gabriel afirmou que o diálogo resultou na confirmação de que MDB e PSD marcharão com nomes próprios ao Palácio Tiradentes, ampliando as alternativas para o eleitorado mineiro, e defendeu um pleito pautado pelo respeito.

"Minas Gerais precisa de postura por parte de todos os atores envolvidos no processo eleitoral. É possível e necessário manter relações institucionais respeitosas durante a disputa, pautando o debate por propostas, sem ataques pessoais ou degradação da política", declarou Gabriel Azevedo no documento.

Mateus Simões e PSD

Já no domingo (2/8), a partir das 9h, a expectativa se volta para a convenção do PSD, que promete movimentar os bastidores políticos dos corredores da ALMG. A legenda deve oficializar o projeto de reeleição do governador Mateus Simões (PSD) ao Palácio Tiradentes em meio a uma série de recomposições em seu núcleo político.

A pré-campanha de Simões foi marcada por reviravoltas na montagem da chapa majoritária: se no início do processo o chefe do Executivo mineiro bancava o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP) como seu pré-candidato ao Senado Federal, o cenário mudou radicalmente após o rompimento entre ambos. Aro passou de aliado a adversário direto e para cotado a disputar o Executivo mineiro contra o ex-aliado.

Antes da fratura na base governista, o ex-secretário também já havia recusado compor uma chapa dupla com o senador Carlos Viana (PSD-MG) para o Congresso Nacional. Viana, por sua vez, busca a reeleição ao posto e integra os quadros do PSD.

Sem Aro no arranjo, a segunda vaga da chapa ao Senado segue em aberto. O comunicador e influenciador Marco Antônio Costa, o “Superman da Jovem Pan” (Novo), é apontado nos bastidores como uma das alternativas para ocupar a composição. 

Outra definição aguardada na convenção do PSD é a indicação para o posto de vice-governador na chapa de Simões. O partido havia firmado um acordo com o ex-governador Romeu Zema (Novo) para que a vaga fosse ocupada por um nome do Partido Novo.

A legenda governista, que realizou sua convenção recentemente, colocou os nomes da vereadora Fernanda Altoé (Novo) e do ex-deputado federal Thiago Mitraud (Novo) à disposição para compor o ticket majoritário. Um dos dois deve sair do encontro de domingo como candidato a vice. Romeu Zema é aguardado no evento.

Por fim, no domingo, entre 15h e 19h, será a vez do PSB realizar seus atos na ALMG.

A definição mais aguardada envolve o ex-chefe do Ministério Público mineiro Jarbas Soares Júnior (PSB). Inicialmente cotado como pré-candidato ao Palácio Tiradentes, Jarbas viu o cenário mudar com o anúncio da pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo estadual.

Desde então, as conversas entre o PSB e o PT se intensificaram, e o ex-procurador-geral despontou para compor a chapa com os petistas como candidato ao Senado Federal. Nessa configuração, Jarbas disputaria a segunda vaga ao Congresso, uma vez que o primeiro posto da coligação já está reservado para a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT).

Convenção do União-PP na segunda

Na segunda-feira (3/8), entre 18h e 19h, também na ALMG, será a vez da federação União-PP realizar sua convenção estadual. O ato pode chancelar o ex-secretário de estado de governo Marcelo Aro (PP) como candidato ao Governo de Minas. Há também a possibilidade dele voltar à disputa pelo Senado Federal.

As atenções no evento estarão voltadas ainda para a definição do arco de alianças que comporá a chapa da federação. Um bloco formado por siglas como PL, Podemos, PRD, Solidariedade, Avante, Agir e Mobiliza vinha desenhando uma composição conjunta para apoiar Aro na corrida pelo Executivo mineiro.

No entanto, o movimento do PL teve uma mudança de rota. Desde que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sinalizou o desejo de disputar o Executivo mineiro, a cúpula liberal tem indicado preferência por uma aliança com o parlamentar.A composição dos liberais com Cleitinho, porém, dependem do desfecho sobre a  validação da sua candidatura pelo Republicanos.