Xadrez político

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), confirmou a saída do grupo político do ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) da gestão estadual. A declaração ocorreu após uma reunião entre os dois na qual foi oficializado o fim da aliança. Simões afirmou que a equipe ligada a Aro deixará o Executivo após ter "parasitado" a administração por anos, classificando o movimento como uma traição ao povo mineiro e ao ex-governador Romeu Zema (Novo).

Aro havia deixado o comando da Secretaria de Governo em março deste ano, mas mantinha aliados na pasta, atualmente chefiada por Castellar Neto (PP). O rompimento definitivo se consolida no momento em que o ex-secretário articula sua pré-candidatura ao Executivo, passando a concorrer diretamente com o atual governador.

"O Marcelo, para minha surpresa, disse que vem há semanas negociando a estrutura de candidatura dele ao governo do estado, concorrendo comigo, apesar da minha afirmação, ao longo das últimas semanas, de que ele seria o meu candidato ao Senado", afirmou Simões em entrevista à Rádio Itatiaia.

Segundo o governador, Aro informou que está se retirando definitivamente do governo "depois de por 4 anos ter parasitado o Governo de Minas Gerais, aparentemente, para nutrir um projeto que é absolutamente pessoal".

Durante a gestão de Romeu Zema, Aro atuou como chefe da Casa Civil e titular da Secretaria de Governo, exercendo papel central na articulação política. O planejamento inicial previa sua candidatura ao Senado na chapa de Simões, mas o cenário mudou em abril com a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, fato que gerou descontentamento no ex-secretário.

"Eu digo que a decepção acaba perseguindo a gente na política porque a gente lida com gente de todos os tipos. Mas no caso dele, especificamente, que foi meu aluno, a decepção é um pouco maior, porque foi abrigado no governo durante quatro anos", declarou Simões em comunicado enviado à imprensa.

Xadrez político

Além dos impactos na chapa governista, a movimentação atinge alianças com partidos como o Republicanos e o PL. Aro passou a ser visto como um "plano B" do Republicanos diante das dúvidas sobre a candidatura do senador Cleitinho Azevedo. Sobre isso, Simões comentou que a decisão de Aro ainda dependeria do cenário com Cleitinho: "A ponderação dele a essa altura não é sequer sobre a minha candidatura mais, é se ele vai ter o espaço todo que ele espera do lado de lá".

Simões ainda criticou as restrições impostas por Aro em relação à presença de outros nomes na disputa ao Senado. "Fico preocupado com os riscos que Minas Gerais passa a ter quando as pessoas estão dispostas a projetos de qualquer tipo por poder, por vitória. A preocupação de ter concorrentes para o Senado mostra que a visão dele de democracia e a minha são muito diferentes", completou.

A reportagem procurou Marcelo Aro e mantém o espaço aberto para a manifestação do ex-secretário.