Depois de obter uma decisão liminar favorável da Justiça Eleitoral, o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) registrou neste sábado (15/8) a candidatura do empresário e coach Pablo Marçal à Presidência da República. O pedido foi protocolado às 18h51, segundo nota do partido ao Correio, pouco antes do prazo final para o registro das candidaturas às eleições de 2026. Marçal terá o presidente nacional da legenda, Leonardo Avalanche, como candidato a vice.

A candidatura aparece no sistema como “aguardando julgamento” e ainda depende de análise da Justiça Eleitoral para ser considerada apta. A liminar permitiu que Marçal voltasse a integrar oficialmente o PRTB, partido pelo qual disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024.

Avalanche troca candidatura pela vice

A mudança na chapa ocorreu de última hora. Até sexta-feira (14/8), Leonardo Avalanche era o candidato do PRTB à Presidência e chegou a aparecer na pesquisa Genial/Quaest divulgada naquele dia.

Além disso, Avalanche havia sido escolhido em convenção nacional do partido, no fim de julho, para encabeçar a chapa presidencial. Segundo o PRTB, no entanto, ele passou as semanas seguintes articulando internamente uma mudança que recolocasse Marçal na disputa.

“Recuperamos o partido quando tentaram tirá-lo de nós”, afirmou Avalanche, segundo a nota. O presidente do PRTB também declarou que a legenda conseguiu, com a decisão, apresentar novamente Marçal como candidato à Presidência.

O partido classificou a mudança como um movimento construído nos bastidores e afirmou que Avalanche optou por trocar o protagonismo como candidato a presidente pela posição de vice na chapa.

Marçal está inelegível até 2032

Apesar do registro, a situação jurídica de Marçal ainda representa um obstáculo à candidatura. O empresário foi condenado pela Justiça Eleitoral em processos relacionados à campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, e está inelegível por oito anos.

Em uma das ações, Marçal foi condenado por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão estabeleceu a inelegibilidade até 2032. O empresário recorre das condenações.

A liminar obtida agora trata da filiação partidária e não elimina as condenações que resultaram na inelegibilidade. Por isso, o registro feito pelo PRTB ainda precisará ser analisado pela Justiça Eleitoral.

Patrimônio de R$ 7,4 bilhões

Na declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marçal informou ter um patrimônio de R$ 7,418 bilhões. A maior parte do valor está concentrada em aplicações financeiras. Além disso, ele indicou R$ 6,791 bilhões em uma aplicação de renda fixa, na modalidade RDB/CDB do Itaú.

Entre os demais bens estão um terreno em Santana de Parnaíba (SP), avaliado em R$ 490 milhões, participação de R$ 80 milhões na Aviation Participações e de R$ 19,8 milhões na Marçal Holding.

Ele também declarou outra participação societária, no valor de R$ 9,2 milhões, além de fundos de investimento e outras aplicações financeiras.