Brasil247 – Em ato de campanha em Florianópolis (SC), neste sábado (19), o presidente Lula (PT) defendeu o endurecimento das punições para homens que agridem mulheres e afirmou que o enfrentamento ao feminicídio também deve envolver os homens.

Lula afirmou que a violência contra as mulheres não pode ser tratada como uma questão restrita às próprias vítimas. Ele convocou os homens a participarem de campanhas de conscientização e mencionou especificamente o combate ao feminicídio.

“O recado que posso dar para os homens de bem para ajudar na campanha porque a luta não é só das mulheres, é nossa também. Aquele homem que agride uma mulher deve lembrar que não nasceu da terra, nasceu na barriga de mulher”, declarou.

O presidente também dirigiu um apelo aos sindicalistas homens que acompanhavam o ato. Segundo ele, a defesa das mulheres e o combate ao feminicídio deveriam estar presentes inclusive nos discursos realizados durante campanhas salariais.

“As leis vão ser cada vez mais duras, vamos aumentar a pena”, afirmou.

Voto feminino e disputa eleitoral

No mesmo discurso, Lula defendeu que mulheres votem em candidatas mulheres, mas estabeleceu como critério o alinhamento político com seu grupo. A declaração ocorreu durante a primeira agenda de campanha do presidente em Santa Catarina neste pleito.

“Mulher tem de votar em mulher nas eleições, mas do nosso time. Não do adversário, porque se não vai colocar uma raposa para cuidar do galinheiro”, afirmou.

A defesa do voto feminino em candidatas alinhadas ao seu campo político fez parte de uma estratégia mais ampla do discurso, que associou a participação das mulheres na política a temas como violência de gênero e igualdade.

Petróleo como fonte de recursos para educação e tecnologia

Lula também apresentou sua visão para um eventual próximo governo ao defender que recursos provenientes da exploração de petróleo na Margem Equatorial sejam direcionados, em grande medida, para educação e tecnologia.

O presidente associou esses investimentos ao desenvolvimento de inteligência artificial em português e à formação de profissionais brasileiros. Para Lula, a disputa tecnológica deve ser acompanhada pela construção de capacidade própria no país.

“Vai ser o novo passaporte para o futuro, porque o dinheiro desse petróleo será para a educação, para formar os gênios desse País. Não queremos IA com língua chinesa ou inglesa, queremos a IA em língua portuguesa. Nossa guerra não é dos Estados Unidos e da China é para formar nossos meninos e meninas”, afirmou.

Na sequência, Lula estabeleceu uma comparação entre diferentes concepções de política pública e de desenvolvimento econômico.

“Agora a escolha é entre o cara que distribui balas e aquele que distribui livros, o cara que destrói empregos e aquele que constrói empregos.”

Universidades e Pé-de-Meia

O presidente também citou a expansão da rede federal de ensino superior em Santa Catarina. Segundo Lula, das seis universidades federais existentes no estado, cinco teriam sido criadas durante seus governos.

“O torneiro mecânico que fez, não foi o militarismo deles. Criamos o Pé-de-Meia para ajudar os estudantes. A elite que domina o Brasil nunca quis que o nosso povo estudasse”, disse.

O programa Pé-de-Meia, citado pelo presidente, é uma política voltada à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio, com incentivos financeiros vinculados à trajetória escolar.

Lula utilizou ainda uma comparação entre os gastos públicos com educação e o custo de manutenção de pessoas privadas de liberdade para defender que o investimento em escolas pode funcionar como uma política de prevenção.

“Numa universidade de engenharia espacial se gasta R$ 20 mil por ano por aluno. Sabe quanto custa um preso? R$ 35 mil por ano. A escolha não precisa de muita inteligência: ao invés de construir cadeia é melhor construir escola”, destacou.

O presidente rejeitou a redução da maioridade penal como solução para a violência juvenil e defendeu a ampliação do tempo de permanência dos jovens na escola.

“Eu não discuto reduzir a maioridade penal, eu quero aumentar o tempo em que o jovem fica na escola. Cuidar do futuro do País é investir em educação em saúde.”