Brasil247 – O governo brasileiro afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou contra os interesses do país ao participar, nos Estados Unidos, de uma audiência pública sobre a possível imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta terça-feira (7), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República repudiou a intervenção do parlamentar e acusou o pré-candidato à Presidência de tentar transformar uma discussão comercial em manobra eleitoral.

A reação do Planalto teve como ponto central a avaliação de que Flávio não defendeu o Brasil diante das autoridades estadunidenses. Segundo o governo, o senador evitou se posicionar contra o tarifaço e preferiu sugerir o adiamento da medida em razão da proximidade da eleição presidencial brasileira, marcada para outubro. Para a Secom, a postura teve “claro objetivo eleitoreiro”.

No trecho mais duro da manifestação, o governo afirmou que há uma diferença essencial entre fazer oposição ao Palácio do Planalto e agir contra o país. “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.

O Planalto também acusou Flávio Bolsonaro de legitimar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para pressionar comercialmente o Brasil. “Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, afirmou a Secretaria de Comunicação.

A audiência foi promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da chamada Seção 301, procedimento usado por Washington para avaliar práticas comerciais de outros países e embasar eventuais retaliações. O encontro integra a fase de consulta pública antes da decisão sobre a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Segundo o governo brasileiro, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total, 63 se posicionaram contra a medida e 15 a favor. Entre as 44 intervenções de participantes norte-americanos, 30 foram contrárias às tarifas e 14 favoráveis. Já entre os 34 brasileiros inscritos, apenas Flávio Bolsonaro não se colocou contra as medidas contra o Brasil, optando por defender o adiamento.

A participação do senador ocorreu ao lado do irmão, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e tem atuado em defesa de sanções e pressões contra autoridades brasileiras. Para o Planalto, a atuação dos dois reforça a acusação de que a família Bolsonaro busca levar a disputa política interna para o campo das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

Na nota, o governo afirmou ainda que Flávio “não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil”. A Secom também disse que o senador não aproveitou a audiência para reconhecer que errou ao contrariar os interesses da população brasileira.


Outro ponto destacado pelo governo foi a posição atribuída a Flávio Bolsonaro em relação à regulação do ambiente digital. Segundo a nota, o senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que buscam impedir a circulação de conteúdos criminosos e enfrentar a violência contra mulheres nas plataformas digitais. Para a Secom, essa agenda “só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes”.

O Planalto também rebateu referências feitas pelo senador ao caso Master. Na avaliação do governo, Flávio citou o episódio sem mencionar sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro e sem tratar de seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro. A nota afirma que o senador pediu mais de R$ 130 milhões a Vorcaro, sob a justificativa de produzir um filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

A Secretaria de Comunicação relacionou ainda o caso Master aos descontos ilegais que atingiram aposentados e pensionistas do INSS. Segundo o governo, ambos os episódios começaram no governo Bolsonaro. A nota afirma que foi na atual gestão que o esquema no INSS foi desarticulado pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal, com devolução de R$ 3,2 bilhões a 4,2 milhões de beneficiários.

O Pix também entrou na reação oficial. O governo acusou Flávio Bolsonaro e sua família de tentarem alterar o discurso sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Segundo a Secom, depois de ataques feitos ao longo do último ano, o senador agora tenta passar a imagem de defensor do Pix, mas ainda propõe subordiná-lo aos interesses estadunidenses.

Na sequência da audiência, o governo ressaltou que mantém negociações com os Estados Unidos desde julho de 2025 para tentar reverter tarifas consideradas injustificadas. A estratégia envolve reuniões técnicas, cartas, telefonemas e encontros de alto nível para demonstrar que as medidas não têm fundamento.

Enquanto Flávio Bolsonaro participava da audiência pública, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto estavam reunidos com representantes do USTR para tentar desfazer o tarifaço. Para o governo, o contraste mostra que, enquanto a diplomacia brasileira buscava uma solução institucional, o senador tentava politizar as relações entre os dois países.

Confira a íntegra da nota

O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil.

Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor.

Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.

Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país.

O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.

O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes.

Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.

Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários.

Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.

O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.

Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.

Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República