O candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) defendeu que o próximo governador tenha uma relação de diálogo com o governo federal, independentemente de quem ocupar o Palácio do Planalto. A declaração foi dada durante sabatina da CNN Brasil, nessa segunda-feira (24/8). Na ocasião, o emedebista criticou a estratégia de confronto adotada pelo governador Romeu Zema (Novo) em relaçaão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que Minas perde oportunidades ao transformar divergências políticas em disputa institucional.

Para Gabriel, a prioridade do governador deve ser apresentar projetos e buscar recursos para o Estado, e não alimentar embates com Brasília.  “Governador de Minas Gerais não serve pra ficar postando vídeos nas redes sociais contra o presidente. Tem que apresentar projeto”, afirmou.

A defesa do diálogo foi apresentada pelo candidato como uma das marcas que pretende imprimir a um eventual governo. Gabriel afirmou que manteria interlocução com a Presidência da República, a bancada federal, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, mesmo quando houver divergências políticas. “Eu não abro mão de convicção. Sentar à mesa pra conversar com as mais diversas pessoas mostra que suas convicções são mais fortes ainda”, disse.

A relação com o governo federal, segundo Gabriel, também seria fundamental para enfrentar a dívida de Minas Gerais. O candidato defendeu que o Estado adira ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e disse ser favorável à alternativa que prevê juros zero mediante a amortização de 20% do passivo. Ele estimou a dívida em cerca de R$ 35 bilhões.

Apesar de reconhecer a necessidade de diálogo, Gabriel defendeu uma independência em relação à disputa presidencial. O candidato afirmou que seguirá a orientação de neutralidade do MDB e disse que Minas não deve ser utilizada como extensão da disputa entre os grupos políticos nacionais. “Eu sempre disse que Minas Gerais não pode se resumir a ser palanque pra disputa presidencial”, declarou. 

Gabriel afirmou ainda que pesquisas às quais teve acesso indicam que a maioria dos mineiros prefere um governador independente em relação à disputa nacional. Para ele, assumir um lado na eleição presidencial poderia fazer com que a campanha pelo governo de Minas fosse contaminada pela polarização entre os candidatos à Presidência.

A crítica à polarização também foi associada por Gabriel à atuação do governo Zema. O candidato defendeu que eventuais divergências entre o governador e o presidente não impeçam a construção de acordos e a captação de recursos para Minas.

Gabriel também afirmou que pretende participar de todas as entrevistas e debates previstos durante a campanha e criticou candidatos que optam por não comparecer às sabatinas.

Ferrovias

O argumento de que Minas precisa ampliar a capacidade de articulação política foi usado por Gabriel também para defender investimentos em infraestrutura. O candidato afirmou que há recursos disponíveis em Brasília, mas que o Estado precisa apresentar projetos para acessá-los.

Ele citou um fundo de compensação de aproximadamente R$ 20 bilhões e defendeu que parte dos recursos seja direcionada à expansão da malha ferroviária mineira. Na avaliação do emedebista, regiões produtoras, especialmente o Triângulo Mineiro, poderiam ganhar competitividade com a ampliação das ferrovias.

“Em Minas Gerais todo mundo chama tudo de trem, e o que está faltando é justamente trem”, afirmou. Para Gabriel, o problema não está apenas na falta de recursos, mas também na capacidade do Estado de elaborar projetos e buscar investimentos.

Minerais críticos

Outro ponto abordado na sabatina foi a exploração de terras raras e outros minerais considerados estratégicos. Gabriel defendeu que Minas estabeleça regras mais claras para a atividade e mantenha diálogo com a União.

Segundo ele, a ausência de critérios objetivos pode abrir espaço para favorecimentos. “Toda vez que você tem a dependência de uma assinatura com poucas regras claras, você vai ter um empresário querendo pagar alguém para ter vantagem”, afirmou.

O candidato também defendeu que Minas avance na industrialização e na produção de tecnologia associada aos minerais estratégicos, em vez de se limitar à exportação de matéria-prima.