Brasil247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), após deixar o Brasil por terra e atravessar a fronteira com a Argentina. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes, medida que não foi cumprida pelo parlamentar.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, o avião particular que transportava Flávio, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal pousou às 9h23, no horário local (10h23 de Brasília), no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida. O desembarque foi identificado por meio do FlightRadar, plataforma de monitoramento de voos. A aeronave partiu da Argentina, realizou uma escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para os Estados Unidos.

O governo argentino confirmou oficialmente a passagem do senador e de sua família pelo território do país na noite de terça-feira (27). A operação contou com a participação de Santiago Caputo, estrategista político do presidente argentino Javier Milei, que acompanhou os deslocamentos necessários para viabilizar o embarque do parlamentar em um voo privado.

Fuga envolveu viagem terrestre e apoio na Argentina

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil começou com um deslocamento de aproximadamente 1.600 quilômetros entre Brasília e Foz do Iguaçu, no Paraná. De acordo com a apuração do UOL junto a fontes argentinas, o senador percorreu o trajeto por via terrestre antes de cruzar a fronteira em direção a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.

Na cidade argentina, o parlamentar e seus familiares embarcaram em uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A. O avião havia chegado ao aeroporto local na segunda-feira (26), procedente do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, mas a viagem sofreu atrasos.

Santiago Caputo desempenhou papel importante na operação. O estrategista de Milei viajou até Puerto Iguazú, hospedou-se em um hotel e se deslocou até Foz do Iguaçu para acompanhar a transferência de Flávio e seus familiares ao aeroporto argentino.

Durante o percurso em território argentino, uma van da empresa Dallas Turismo, de Foz do Iguaçu, utilizada no transporte da família, passou a ser acompanhada por agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA). O veículo entrou diretamente na área de embarque do aeroporto, sob escolta policial, conforme registros divulgados pela imprensa argentina.

A movimentação chamou a atenção de jornalistas dos canais Todo Noticias e C5N, que acompanhavam a situação. Ao ser questionado sobre a presença de Flávio Bolsonaro, o motorista da van não respondeu e deixou o local.

Governo argentino confirma passagem da família pela fronteira

Em comunicado oficial, a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio Bolsonaro, sua esposa e suas duas filhas ingressaram no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú.

O órgão informou que os quatro brasileiros apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais para entrar na Argentina. A travessia foi registrada regularmente pelas autoridades migratórias.

A nota também confirmou que, às 23h30, o grupo embarcou em uma aeronave privada operada pela Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo apresentado às autoridades.

Durante a escala em território equatoriano, o destino da aeronave foi atualizado para Miami, permitindo que o senador e seus familiares prosseguissem viagem até os Estados Unidos.

A imprensa argentina já acompanhava os preparativos para a saída do parlamentar. O portal Infobae havia divulgado informações sobre um possível plano de fuga para os Estados Unidos e posteriormente noticiou a presença da família no aeroporto de Puerto Iguazú.

Trump sinalizou autorização para entrada nos Estados Unidos

A chegada de Flávio Bolsonaro à Flórida ocorreu depois de o presidente estadunidense Donald Trump manifestar disposição para permitir sua entrada no país.

Na noite de terça-feira (27), Trump comentou a situação do senador brasileiro e voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral que resultou na reeleição de Lula.

“Acho que são pessoas decentes. As eleições foram realmente estranhas. Por mim, tudo bem [a entrada do senador nos EUA]”, declarou o presidente estadunidense.

A manifestação ocorreu enquanto havia expectativa de concessão dos vistos necessários para a permanência de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos.

Descumprimento de ordem de Moraes pode provocar novas medidas

A saída do Brasil também amplia a situação jurídica do senador perante o Supremo Tribunal Federal. Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes havia determinado que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes, medida cautelar relacionada às investigações em andamento.

O parlamentar, entretanto, deixou o território brasileiro sem cumprir a determinação. A Polícia Federal deverá comunicar formalmente o descumprimento ao ministro, que poderá analisar a necessidade de impor novas restrições.

Entre as possibilidades jurídicas estão a adoção de medidas cautelares adicionais e, caso sejam demonstrados os requisitos previstos em lei, uma eventual prisão preventiva. Nenhuma dessas consequências ocorre automaticamente em razão da viagem.

A entrada regular na Argentina, confirmada pelas autoridades migratórias do país, não elimina a necessidade de cumprimento das determinações judiciais expedidas pelo STF.

Investigações envolvem lavagem de dinheiro e financiamento de filme

Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à sua ligação com o advogado Willer Tomaz. As apurações envolvem possíveis movimentações financeiras irregulares associadas a empresas e plataformas de apostas.

No âmbito desse procedimento, Alexandre de Moraes também determinou a proibição de contato entre o senador e o advogado.

O parlamentar é alvo de outra investigação no Supremo, envolvendo suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Flávio nega irregularidades e sustenta que o projeto cinematográfico é financiado com recursos privados obtidos de maneira legal.

A viagem aos Estados Unidos acontece, portanto, em meio a investigações judiciais e ao descumprimento de uma determinação do STF. A atuação das autoridades brasileiras nos próximos dias dependerá da comunicação formal da Polícia Federal e das decisões que venham a ser tomadas por Alexandre de Moraes.