Em um cenário ainda embaralhado por indefinições partidárias, a disputa por cargos eletivos em Minas Gerais pode ganhar um concorrente que é veterano na vida pública, mas estreante na carreira política. Há quase 36 anos a serviço do Ministério Público, o ex-procurador-geral de Justiça do estado Jarbas Soares Júnior está a um passo de deixar o órgão para encarar, pela primeira vez, um embate nas urnas. Se concretizada, a empreitada começará com aposta alta: o desejo, conforme ele já admite, é chegar ao comando do governo de Minas.

O martelo, entretanto, ainda não está batido. Nos próximos dias, o ex-chefe do Ministério Público planeja uma série de reuniões com dirigentes partidários a fim de avaliar mais a fundo cada proposta que ele afirma ter recebido no decorrer do ano passado. “Até o início de fevereiro devo ouvir algumas lideranças do nosso estado e de âmbito nacional para ter uma melhor leitura desse mundo novo para mim, e também separar o que é fogo e o que é fumaça”, confirmou Jarbas, em entrevista ao Aparte. 

O procurador conta que as propostas para ingressar na política começaram a surgir ainda no fim de 2024, quando ele encerrou o último mandato como chefe do Ministério Público de Minas Gerais. Apesar dos boatos que circulavam nos corredores da instituição desde então, oficialmente, Jarbas sempre desviava quando questionado sobre uma eventual filiação. “Meu partido é o Ministério Público e meu estatuto do partido é a Constituição Federal”, chegou a dizer, em novembro do ano passado, durante uma entrevista ao programa Café com Política, no canal de O TEMPO no Youtube. 

A postura, entretanto, mudou nas últimas semanas. O procurador afirma que, após um período de reflexão, está convicto de que chegou o momento de tomar uma decisão sobre o tema. “Caso os convites se confirmem e tenha uma estrutura partidária à altura do desafio, admito deixar o Ministério Público até o final de fevereiro ou início de março para me candidatar ao cargo de governador do estado. Não será  fácil deixar o Ministério Público, e jamais entrarei em aventuras. Mas é possível, sim. Não há mais como retardar essa decisão, chegou a hora: ou sim ou não”, admitiu ao Aparte. 

O ex-procurador-geral mantém reserva sobre os partidos que o procuraram, limitando-se a afirmar que recebeu propostas de todos os espectros ideológicos, da esquerda à direita. Ele adianta, no entanto, que fugirá dos extremos, o que pode indicar uma predileção por siglas mais ao centro. “Como candidato ou apenas eleitor, fico sempre longe dos extremos, do radicalismo. Como dizia Tancredo, ‘se é mineiro , não é radical. Se é radical, não é mineiro’.  Gosto dos partidos de índole democrática e humanistas, e que prezam  a Constituição Federal, a liberdade e o devido processo legal”, descreveu.

No decorrer do último ano, interlocutores chegaram a apontar que o ex-chefe do MPMG teria recebido convites para filiação ao PSD, por exemplo. A sigla, porém, já definiu a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões para o governo de Minas, o que criaria um entrave para o ingresso de Jarbas na legenda de Gilberto Kassab. Outra negociação que chegou a ser ventilada foi com o União Brasil. Até o fechamento desta edição, porém, dirigentes da sigla não haviam confirmado as conversas. 

Tabuleiro eleitoral ainda em formação

O eventual ingresso do procurador de Justiça na disputa eleitoral acrescenta nova peça ao tabuleiro que se forma para a corrida pelo Palácio Tiradentes. Até agora, além do vice-governador Mateus Simões, já confirmaram pré-candidatura ao governo de Minas o ex-vereador e presidente do MDB em Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, e o ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT). Entre aqueles que são cotados, mas ainda não confirmam participação no pleito estão nomes como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), o deputado estadual Tadeu Leite (MDB) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).