O ex-secretário de estado de Governo, Danilo de Castro (União), retornou à cena política nas eleições 2026 não só como candidato a vice-governador na chapa de Mateus Simões (União), que disputa a reeleição, mas também com função estratégica no comitê de campanha. Castro tem a missão de ajudar Simões a resgatar o apoio de prefeitos -considerados os principais cabos eleitorais em pleitos para governos estaduais- que possam estar hoje ao lado de Marcelo Aro (PP), candidato ao Senado.

Aro, que foi secretário de Governo nas administrações de Romeu Zema (Novo) e de Simões, por conta do cargo que ocupava, passou os últimos anos rodando o estado em contato direto com prefeitos anunciando investimentos. Aro e Simões romperam relações em 3 de agosto e passou-se a especular sobre a força política que o ex-secretário teria com os gestores municipais. A expectativa antes do rompimento era que Aro fosse candidato ao Senado na chapa de Simões.

Os partidos dos dois fizeram aliança para disputar as eleições em Minas, mas a candidatura de Aro é avulsa, ou seja, não há compromisso de apoio a Simões. Desta forma, o concorrente ao Senado poderia usar seu "estoque" de prefeitos, construído nos governos de Zema e do próprio Simões, na campanha de um adversário do atual governador na briga pelo Palácio Tiradentes. Em declarações recentes, Aro diz ter ao seu lado 844 dos 853 prefeitos do estado. Nesta segunda-feira (24/08) Simões, por sua vez, disse ter o apoio de "mais de 600" chefes do Poder Executivo municipal.

Em meio à guerra de números, Danilo de Castro, aos 81 anos, buscará levar para Simões os prefeitos que podem estar com Aro. A senha para que Castro entre em campo com este objetivo foi dado por Simões durante adesivaço de campanha em Belo Horizonte no domingo (23/08). Em discurso, com a presença de Castro, o governador disse que os prefeitos estavam, no momento, concentrados administrando suas cidades, mas que em breve passariam a participar da campanha.

Castro ocupou o mesmo cargo de Aro durante doze anos, de 2003 a 2014, em dois mandatos como governador de Aécio Neves (PSDB) e um de Antonio Augusto Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), outro filiado ao PSDB à época. Castro também integrava os quadros do partido naquele período. Nas campanhas de Aécio e Anastasia, o atual candidato a vice de Simões mantinha participação intensa, ainda que fora dos holofotes.

Antes de voltar à cena política mineira como candidato a vice e jogador destacado para contato com prefeitos, Castro foi coordenador da campanha do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, pela reeleição em 2024. Cerca de um mês antes da eleição, Castro deixou o comando do comitê. À época, o que aliados de Fuad afirmavam era que o ex-secretário de Governo de Aécio e Anastasia passava por graves problemas de saúde. No domingo, Castro disse que decidiu se afastar do cargo quando constatou um aumento na pressão arterial. "(A campanha) não estava me fazendo bem", afirmou à reportagem.