PERFEITO DE BH

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), afirmou que “vai pegar” quem vandalizou o monumento que presta homenagem ao Clube da Esquina, no cruzamento entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste. A declaração ocorreu nesta sexta-feira (23), após as placas do memorial serem encontradas cobertas por tinta vermelha.

“Vieram aqui e jogaram essa tinta para poder vandalizar o que é de Belo Horizonte, o que é de nós mineiros e o que é de nós brasileiros , porque o Clube da Esquina atingiu o mundo”, diz o prefeito, em vídeo publicado nas redes sociais. “Eu vou dar um recado para você que fez isso. Eu vou te pegar.”

A autoria e as circunstâncias do ato ainda são desconhecidas. A Polícia Civil (PC) afirmou que apura a autoria e circunstâncias da vandalização no memorial e que divulgará outras informações após o avanço dos trabalhos investigativos. Já a Guarda Municipal informou que uma equipe esteve no local e que, como não se trata de um bem público municipal, os responsáveis foram orientados a registrar a ocorrência junto aos órgãos competentes.

Monumento faz alusão aos 30 anos do Clube da Esquina

Conforme o Portal Belo Horizonte, a placa situada na altura do número 215 da rua Divinópolis faz alusão aos 30 anos do Clube da Esquina. Formado em 1960, o coletivo musical reuniu nomes como Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes.

O monumento é considerado um marco do local onde se reuniam o grupo de moradores do bairro que se tornaram artistas de grande importância para a vida cultural de BH. Pelo menos uma vez ao mês, a esquina recebe ocupações musicais.

Quando Lô Borges morreu, em novembro de 2025, o espaço recebeu uma mutidão de fãs que homenageavam o cantor. Flores, cartazes, velas e fotos foram levados pelo público para as ruas Divinópolis e Paraisópolis.

Familiares, amigos e admiradores do artista cantaram músicas do artista, como "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" e "O Trem Azul".

Ao lado do memorial, no chão, foram encontrados um pote de tinta e luvas. O episódio provocou indignação entre familiares de artistas, moradores e pessoas ligadas à preservação do patrimônio cultural. A possibilidade de motivação política foi levantada por pessoas que estiveram no local, mas ainda não há confirmação sobre a intenção dos responsáveis.

Irmão do cantor Lô Borges, Yé Borges lamentou o ataque e relacionou o episódio ao que considera um crescimento da intolerância e da violência no país. “É triste, mas eu não estou impressionado com isso. Isso era esperado. O que a gente tem visto no país hoje é o acirramento da violência e do ódio”, afirmou.

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca