BRASÍLIA - A acusação de um suposto estupro motivou troca de acusações entre parlamentares na última sexta-feira (27/3). O caso veio à tona pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que declarou possuir a denúncia contra o também deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), e já foi parar na Polícia Federal (PF).

Nesta semana, Gaspar deve prestar queixa contra Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que também assinou a acusação, e levar o caso para o Conselho de Ética. 

Na ocasião da denúncia, Gaspar lia seu relatório final – depois rejeitado - da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Na lista de 216 pedidos de indiciamento, estavam os nomes de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Daniel Vorcaro, do Banco Master. 

Pouco depois das 11h, menos de duas horas após o início da sessão, Lindbergh disparou: “Seu estuprador!”. “Eu estuprei, eu estuprei corruptos como Vossa Excelência”, rebateu Gaspar, em episódio que gerou reação na sala da CPMI. 

A situação levou ao protocolo de uma notícia-crime pedindo investigação da Polícia Federal (PF). O documento foi assinado por Lindbergh e por Soraya, que citam que Gaspar supostamente teria praticado o crime de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos, há oito anos, que teria engravidado de uma criança que veio a nascer.  

“Também foi informado aos noticiantes que a vítima, por ser extremamente jovem ao tempo do parto, não figurou formalmente no registro civil da criança como mãe registral, constando a avó nessa posição, circunstância que reforça a necessidade de pronta verificação documental e biológica dos fatos”, apontaram. 

Os parlamentares afirmam ainda que Gaspar teria negociado o silêncio da jovem a partir de um pagamento já realizado de R$ 70 mil e que uma nova conversa estaria em andamento, para o pagamento de um valor equivalente a R$ 400 mil.  

Em horário semelhante, por volta de 19h30 da mesma sexta-feira, Gaspar usou o espaço da CPMI para se defender. Ele alegou que recebeu uma ligação do filho questionando a história, tranquilizou a família e acrescentou que a suposta denúncia “não foi um absurdo novo”, pois tinha sido alertado meses antes de que seria alvo de uma acusação. 

“Eu me lembrei de que um primo meu, adolescente, teve uma relação com uma também adolescente. Esse primo meu é juiz lá em Alagoas e um homem de bem e honrado. Esse primo meu, há cinco anos, assumiu a paternidade dessa filha e hoje paga a pensão, paga a pensão dessa neta”, disse. 

Gaspar disse que entrou em contato com o primo, que afirmou que a filha mora no Rio de Janeiro. O relator da CPMI ainda pediu documentos para mostrar a paternidade da mulher. 

Em seguida, Gaspar publicou o vídeo da jovem em suas redes sociais. Ele afirma que o caso se trata de seu primo, Maurício César Brêda Filho, que tem uma filha biológica chamada Lourilene Pereira da Silva. A mãe da jovem teria 21 anos na época da relação, segundo a versão. 

Gaspar publicou um vídeo da jovem em suas redes sociais, em que ela afirma ser filha de Maurício. “Ressalto que não sou fruto de estupro algum, nem conheço pessoalmente o Alfredo Gaspar. É muito triste comparar, por eles serem primos e terem o mesmo sobrenome, uma história descabida”, completou a moça. 

O post foi feito com a imagem de um exame de DNA feito em 2014 sobre a paternidade, indicando a ligação biológica entre Maurício e Lourilene. 

Soraya, no entanto, afirma que Gaspar se refere a outro caso. “Apenas para esclarecer: ele apresentou outro caso que nada tem a ver com a denúncia. Estamos tratando de uma possível filha de 8 anos, cuja mãe tem 21. Façam as contas!”, escreveu. A senadora afirmou que enviou provas do caso que denunciou à PF. 

“Para se defender ele trouxe um DNA do primo Juiz e um vídeo da filha desse primo já bem adulta que ele reconheceu tardiamente. Uma história não tem nada a ver com a outra!”, completou.  Já Gaspar declarou: “É importante deixar absolutamente claro: não há qualquer relação desse episódio com denúncia de estupro. A tentativa de criar essa narrativa é cruel, mentirosa e revela o nível de desespero de quem perdeu o compromisso com a verdade”.  

“A esquerda, em desespero, recorre à mentira. Mas a mentira terá resposta, no campo da verdade e também nas medidas judiciais cabíveis”, completou, informando que deve levar o caso à PF e ao Conselho de Ética.