A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), o deputado federal Aécio Neves (PSDB) e o senador Carlos Viana (PSD) estão à frente na intenção de votos dos mineiros para o Senado Federal, de acordo com a quarta rodada da DATATEMPO (MG-00468/2026 e BR-02329/2026). Há empate técnico, considerando a sobreposição nos intervalos dos candidatos que estão à frente numericamente.

Como cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado em 2026, a pesquisa perguntou separadamente sobre o primeiro e o segundo votos e apresentou um indicador que agrupa as duas escolhas. No indicador que considera conjuntamente as duas escolhas, Marília Campos apresenta o maior resultado numérico, com 13%. Aécio Neves registra 10,3% e Carlos Viana, 9,8%.

A margem de erro do levantamento é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos. Assim, as faixas de oscilação de Marília, Aécio e Viana se sobrepõem. Por sua vez, o deputado federal Domingos Sávio (PL), que está numericamente na quarta posição com 7,2% das intenções de voto, empata tecnicamente com Viana.

Os demais candidatos ao Senado registraram menos de 7% das intenções de voto. Outros 17,1% dos eleitores disseram que vão votar branco ou nulo, 21,5% estão indecisos e 0,6% não responderam.

De acordo com a doutora em ciência política e analista sênior de pesquisa do instituto DATATEMPO, Mariela Rocha, o cenário pulverizado para o Senado pode estar relacionado a algumas particularidades próprias da disputa. Uma delas está relacionada aos dois votos para senador: o eleitor precisará construir uma combinação de duas escolhas, com nomes diferentes, o que pode tornar a decisão mais complexa.

“Uma hipótese é que o eleitor esteja formando essa escolha mais tardiamente do que a decisão para cargos de maior visibilidade, como presidente e governador. No caso específico deste ano, há ainda a necessidade de definir dois nomes, e é perfeitamente possível que parte do eleitorado já tenha uma primeira preferência, mas ainda esteja construindo o segundo voto”, explica Mariela. “A própria literatura sobre comportamento eleitoral mostra que eleitores indecisos ou ambivalentes podem organizar suas preferências nos momentos finais da campanha, à medida que recebem mais informações e estímulos.”

Indecisos

Em um cenário espontâneo, quando não é apresentada uma lista com nomes de candidatos, a disputa pelo Senado permanece indefinida, com 74,4% dos eleitores sem indicar um nome. 

Entre os candidatos mencionados, Marília Campos apresenta a maior estimativa pontual (5%), seguida por Carlos Viana (2,8%). As menções, contudo, são baixas e pulverizadas, sem uma separação estatística clara entre os primeiros colocados.

De acordo com Mariela Rocha, analista da DATATEMPO, há uma diferença quando os nomes são apresentados e quando não são. O elevado número de indecisos na espontânea mostra que muitas candidaturas ainda não estão fortemente fixadas na memória do eleitor. Quando os nomes são apresentados, uma parcela maior consegue expressar uma preferência.

“Estando a eleição próxima, poderíamos esperar algum avanço na definição, mas eu evitaria dizer que esse nível de indefinição é necessariamente anormal. Nesta eleição, o eleitor terá seis escolhas na urna, incluindo dois votos para senador, o que pode fazer com que parte das decisões para os cargos legislativos seja organizada mais perto da votação. Portanto, eu diria que a disputa pelo Senado ainda está em processo de consolidação. E, especialmente para o segundo voto, ainda existe espaço para que a campanha ajude o eleitor a estruturar a combinação dos seus dois votos”, avalia.

A indecisão se repete nos cenários espontâneos testados para a Câmara de Deputados e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Enquanto 61,5% dos eleitores mineiros não indicam espontaneamente um nome para deputado federal, enquanto 64,5%, um nome para deputado estadual.

Entre aqueles que mencionam algum nome, as respostas são pulverizadas, quadro compatível com a baixa cristalização do voto nas disputas proporcionais neste momento. Conforme Mariela, esse nível de indefinição pode ser compreendido, em parte, pela própria estrutura das disputas proporcionais, considerando o amplo universo de candidaturas que se colocam na corrida.

“Nesse contexto, é plausível que a escolha individual para deputado seja construída mais tarde, a partir de fatores como maior contato com as campanhas, conhecimento de candidaturas específicas ou identificação partidária. Mas esses são mecanismos possíveis; a pesquisa não perguntou diretamente por que o eleitor ainda não escolheu”, explica.

A especialista faz a ressalva de que o dado não significa necessariamente desinteresse pela eleição. Ele mostra que, no momento da entrevista, a maioria dos eleitores não mencionou espontaneamente um candidato para esses cargos.

Metodologia

A pesquisa DATATEMPO foi contratada pela Sempre Editora. Os dados foram coletados de 9 de setembro a 12 de setembro de 2026. Foram realizadas 1.000 entrevistas domiciliares. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%. Pesquisa registrada: MG-00468/2026 e BR-02329/2026.