FINANÇAS

Os deputado federais Rogério Correia (PT-MG) e Duda Salabert (PDT-MG) protocolaram na Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta quinta-feira (28/8) um pedido de abertura de inquérito contra o colega Nikolas Ferreira (PL-MG). Os parlamentares argumentam que Nikolas divulgou "um vídeo com fake news" sobre o sistema financeiro que, indiretamente, teria favorecido organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O vídeo do parlamentar bolsonarista, que foi visto por mais de 300 milhões de contas, alegava que a decisão da Receita Federal em obrigar fintechs a reportar transações acima de determinados valores poderia se tornar uma "taxação do PIX". O que foi negado veementemente pelo governo federal à epoca.

“A maior operação da história contra o crime organizado, a Operação Carbono Oculto, mostrou a infiltração do PCC no sistema financeiro e reforça a necessidade de apurar com rigor a veiculação de desinformação com a possível participação de um parlamentar que tornou vulnerável os mecanismos de fiscalização do Estado", afirmou o petista. Salabert também aponta que a revogação da medida pode ter atendido a interesses de organizações criminosas.

Correia pede que sejam apurados quatro supostos crimes: a divulgação de informações falsas ou incompletas sobre instituições financeiras; o favorecimento indireto à lavagem de dinheiro; a obstrução de investigações sobre organizações criminosas; e uma possível associação para o tráfico de drogas, caso seja comprovada a relação entre a divulgação do vídeo e a movimentação de recursos ilícitos ligados ao PCC.

O petista justifica que a publicação de Nikolas desinformou e dificultou o combate à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal.

O pedido ocorre na esteira da Operação Carbono Oculto realizada nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), em parceria com a Receita Federal e outros órgãos, que realizou busca e apreensão em dez estados para investigar fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos ligados ao PCC.

Nikolas Ferreira foi procurado pela reportagem. Até a publicação deste texto, ele não havia respondido. Assim que ele responder, a matéria será atualizada.