DEMORA DE SEIS ANOS

 

O comprometimento do governador Mateus Simões (PSD), recém empossado no Palácio da Liberdade com a renúncia de Romeu Zema (Novo), com demandas apresentadas pelas lideranças do Sindpros, formado por trabalhadores da saúde da Fhemig, deveria ter acontecido há pelo menos seis anos. É o que afirmaram deputados estaduais mineiros ao Estado de Minas.

 

O governador se reuniu com uma comissão do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig após uma vistoria técnica surpresa no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, em Belo Horizonte (MG), que avaliou as condições da unidade e encontrou falhas consideradas graves. O político ouviu demandas da organização e prometeu uma manifestação formal sobre os temas. 

 
 
 

Em coletiva de imprensa, ele informou que também assumiu compromisso de pagamento imediato do vale-transporte de trabalhadores de Sete Lagoas, na Região Central do estado, e do não desconto do valor da alimentação enquanto os trabalhadores estiverem de férias.

No entanto, a promessa foi entendida como atrasada por parlamentares do Legislativo, uma vez que ela poderia ter sido feita desde que Simões assumiu o comando do secretariado do estado, em 2020. O próprio governador comentou sobre o tempo no cargo durante discurso de posse na Assembleia Legislativa: "Desde 13 de março de 2020, quando [Zema] me nomeou secretário-geral – tarefa que eu desempenho já há seis anos com muito orgulho e consciência – delegou a mim  o privilégio de coordenar o secretariado do Estado".

Para o deputado estadual Professor Cleiton, líder do PV na Assembleia Legislativa, a atitude de diálogo com os trabalhadores deveria ter ocorrido desde então. "A campanha chegou mais cedo em Minas e o ex-vice-governador e coordenador do secretariado há seis anos resolveu sair da sala pra ver, finalmente, a realidade da vida do mineiro: o trem não prosperou. Ao contrário, só pra trás", disse.

Na visão dele, a reunião com o Sindpros tenta mascarar a atuação exercida como vice. "Agora ele finge que não foi um dos cabeças desse governo desastroso", finalizou.

A visão é parecida para o deputado estadual Lucas Lasmar (REDE), membro efetivo da Comissão de Saúde no Legislativo. Em nota enviada à reportagem, ele afirmou que Simões já sabia das denúncias em relação às condições do HPS, que abrangem condições de infraestrutura, de trabalho e tratamento aos servidores públicos, e que cabe ao governo uma demonstração na prática de que "está disposto a corrigir esses problemas e avançar na valorização dos servidores de saúde".

Lasmar citou que os funcionários da saúde enfrentam problemas como não pagamento de vale-alimentação durante férias, vale-transporte não garantido, falta de reajuste salarial e exigência de um 11º plantão mensal, sem aumento de remuneração, o que, segundo ele, "amplia ainda mais a sobrecarga em um ambiente de muita pressão física e psicológica". 

 

"Saúde pública exige investimento em estrutura e, principalmente, valorização de quem está na linha de frente. Valorizar os profissionais da saúde não é apenas uma questão de justiça, mas de eficiência do próprio sistema", afirmou. Para o deputado, garantir os direitos básicos é essencial para melhorar o atendimento à população e respeitar "quem sustenta o funcionamento da rede pública". 

O compromisso

O Sindpros, que conta com profissionais de enfermagem, auxiliares de apoio da saúde, técnicos operacionais da saúde e analistas de gestão e assistência à saúde, está em estado de greve desde terça-feira (17/3). O sindicato foi uma das organizações que participaram de uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma hora antes da posse de Simões, na manhã de domingo (22/3).

Em conversa com a reportagem naquele dia, o presidente do sindicato, Carlos Martins, contou que o grupo apresentou pautas de reivindicação do movimento sobre descontos indevidos, condições de trabalho e aumento de salário. Segundo ele, o governador se comprometeu a levar alguns itens à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag) e à diretoria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

 

 

A informação foi reforçada por Simões em coletiva de imprensa. “Eu saí com nove temas que foram trazidos pra mim pelo sindicato, e eu assumi o compromisso de voltar com uma manifestação formal do governo em até 10 dias. Até o final da semana, tanto a Seplag quanto a Fhemig vão dar retornos”, afirmou.

A abertura para diálogo foi vista com bons olhos pelo líder, que há pelo menos oito anos não acontecia de forma direta. “Desde que eu sou sindicalista, somente o (Antonio) Anastasia (2010-2014) e o (Fernando) Pimentel (2015-2018) que já haviam sentado nestes momentos de greve com a gente para estar discutindo os encaminhamentos dos trabalhadores", contou.

A Fhemig foi procurada pela reportagem para esclarecimentos sobre as afirmações feitas pelo sindicato e ainda não retornou. O espaço segue aberto.