A deputada estadual Lohanna (PV) defendeu o fortalecimento da centro-direita como forma de ampliar o debate democrático e conter o avanço do extremismo no país. Em entrevista ao programa Café com Política, exibido nesta quinta-feira (19/3), ela também criticou a condução política de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro diante de sua condição de saúde. A entrevista foi conduzida pelo jornalista André Vasconcelos.

“A gente tem um momento político que vale a pena observar. O momento de quem está liderando um campo faz isso de dentro de uma cadeia enquanto seus filhos postam que estão muito tristes pela situação de saúde do pai, mas pulam e dançam em palanques. Eu tenho toda solidariedade à situação do (ex-presidente Jair) Bolsonaro e eu espero que ele se recupere prontamente porque a gente deseja saúde para todo mundo. E fico triste que a família dele não parecr tratar esse assunto com essa solidariedade e com essa seriedade. A impressão que passa, inclusive, é que eles montaram um palanque em cima da cama de hospital que ele parecesse estar”, opinou a deputada. 

Na avaliação da parlamentar, é preciso ampliar a capacidade de diálogo entre campos políticos distintos. Ela citou como exemplo a composição da chapa presidencial liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o vice Geraldo Alckmin (PSB), que já foi adversário dele em eleições presidenciais, quando estava no PSDB. 

“O presidente Lula deu um exemplo para a gente sobre isso. Quando ele convida o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, para ser seu vice, uma pessoa que foi seu adversário tantas vezes, ele demonstra muito claramente para a gente, e inclusive pessoas do campo progressista precisam aprender com mais afinco essa lição que o presidente traz, que é, a gente precisa dar conta de dialogar com quem pensa diferente. E eu vou além disso: eu acredito que para a gente consiga fazer com que a extrema direita perca força nas urnas e nos corações das pessoas”, avaliou.

“Isso passa necessariamente pelo fortalecimento da centro-direita. Sabe por quê? Porque as pessoas não são todas de esquerda. As pessoas não são todas progressistas. E tá tudo bem”, disse a deputada de esquerda. 

É legítimo e democrático que as pessoas pensem diferente. Sobre questão trabalhista, sobre questões de imposto, sobre outras questões. Não é legítimo que elas pensem diferente sobre direitos que estão na Constituição ou questões legais no geral. E se essas pessoas que pensam diferente em algum aspecto não tiver o nome de centro-direita, que respeita as regras democráticas, que respeite as regras democráticas para poder apostar seu voto, seus sonhos nas urnas, elas vão cair na extrema-direita. Então a gente tem que ter quadros da centro-direita que não se rendam ao extremismo. É muito importante para voltarmos a ter um debate democrático, sobre projeto de país”, finalizou.