BRASÍLIA – Em 2018, ele emprestou sua casa à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, mudou de lado e declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No intervalo desses quatro anos, denunciou um suposto vazamento da Polícia Federal (PF) em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

O personagem dessas reviravoltas é o empresário Paulo Marinho, 74 anos, primeiro suplente de Flávio, que saiu do Brasil após ser derrotado – com uma diferença de mais de 4 milhões de votos – na eleição presidencial.

A mudança do titular de país não abre a vaga no Senado: Marinho só assume se Flávio renunciar, perder o cargo ou tirar licença superior a 120 dias. O mandato termina em 31 de janeiro de 2027. Leonardo Rodrigues, também empresário, é o segundo suplente.

Amigos e rivais: como tudo começou

A aproximação de Paulo Marinho com a família Bolsonaro começou por meio do advogado Gustavo Bebianno, que viria a ser ministro da Secretaria-Geral da Presidência. A casa de Marinho, no Jardim Botânico, no Rio, virou base da campanha de 2018. Lá, Jair gravava vídeos e se reunia com aliados.

Em depoimento ao Senado, o empresário disse que o  então candidato à Presidência do Brasil o indicou para ser uma espécie de conselheiro do filho.

O rompimento, no entanto, veio em 2020. Marinho afirmou que Flávio teria sido alertado por um delegado sobre a Operação Furna da Onça, que atingiria o ex-assessor Fabrício Queiroz, investigado no caso das “rachadinhas” – suspeita de recolhimento de parte dos salários de funcionários do antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. 

O senador negou e acusou o suplente de querer sua cadeira. A denúncia de vazamento não foi comprovada.

Fez o L

Dois anos depois, o empresário, que presidiu o PSDB fluminense, declarou apoio a Lula. “Quem conhece Bolsonaro como eu conheço vota no Lula”, disse na época, alegando que precisava pagar uma “penitência” pelo apoio dado a Jair em 2018.

Mas houve nova reviravolta: segundo André Marinho, filho do empresário, comunicador e candidato do Novo ao governo do Rio em 2026, Flávio procurou o pai em 2024 e os dois se reconciliaram.

Com carreira nos setores financeiro, naval e de comunicação, Marinho também é pai da cantora Giulia Be. Ela celebrou em outubro seu casamento com o advogado Conor Kennedy, sobrinho-neto do ex-presidente americano John F. Kennedy e filho de Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde dos Estados Unidos.

Depois de ser aliado, acusador e novamente interlocutor dos Bolsonaro, Marinho continua na fila para substituir Flávio no Senado.