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string(9468) "Brasil247 - A mais nova pesquisa Datafolha mudou o clima nas campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ampliou a pressão sobre o PL e colocou a pré-candidatura do parlamentar em uma zona de alerta, embora tanto aliados do presidente quanto do filho de Jair Bolsonaro (PL) adotem cautela na leitura dos números, relata o jornal O Globo.
O levantamento divulgado na sexta-feira (23) mostra que o caso Dark Horse teve impacto direto sobre a posição de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Em uma semana, o senador deixou uma situação de empate com Lula no segundo turno e passou a aparecer quatro pontos atrás. No primeiro turno, Lula abriu nove pontos de vantagem.
Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, os dois estavam empatados com 45%. Apesar da mudança no cenário, o resultado ainda é tratado com prudência porque configura empate técnico no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Brancos e nulos somam 9%, e os indecisos são 2%.
O dado que mais preocupa aliados de Flávio está no primeiro turno. O senador caiu de 35% para 31%, seu menor patamar no ano. Lula, por sua vez, subiu de 38% para 40%. A diferença entre os dois, que era de três pontos, passou para nove em poucos dias, após a repercussão das conversas de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, sobre recursos para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
No PL, a pesquisa reforçou a necessidade de conter danos. Jair Bolsonaro e a direção do partido descartam, por ora, trocar Flávio Bolsonaro por outro nome. Ainda assim, o início de junho foi definido como prazo para uma decisão mais clara sobre a candidatura, o que mantém aberta a discussão sobre a viabilidade eleitoral do senador.
A avaliação predominante entre aliados de Flávio é que o desgaste era esperado, mas não seria suficiente para retirar o senador da disputa. No entorno do pré-candidato, a leitura é que o dano ainda pode ser revertido caso a campanha consiga reorganizar a narrativa sobre o caso Dark Horse e as relações com Daniel Vorcaro.
O senador Marcos Rogério (PL-RO), que participou de um evento do Grupo Esfera em Guarujá (SP), tentou minimizar o impacto do levantamento. “Para quem esperava uma tragédia, parece que ela não veio”, declarou Marcos Rogério.
A frase resume a estratégia de aliados de Flávio: reconhecer o desgaste, mas evitar que a pesquisa seja interpretada como sinal de colapso da candidatura. O desafio do PL, no entanto, é impedir que a piora nos índices se consolide e alimente pressões por uma alternativa dentro do próprio campo bolsonarista.
A irritação entre aliados não se limita ao conteúdo das revelações. O desconforto também foi provocado pelo fato de Flávio Bolsonaro ter afirmado em diferentes momentos que não havia nada que pudesse surgir contra ele no caso Master. A divulgação dos áudios e a informação sobre um encontro com Vorcaro, quando o banqueiro já usava tornozeleira eletrônica, tensionaram o PL, partidos do Centrão e empresários que simpatizavam com a candidatura.
Nesse contexto, Michelle Bolsonaro voltou a ser testada pelo Datafolha e aparece como possível alternativa caso Flávio não consiga sustentar sua pré-candidatura. Em um eventual segundo turno, a ex-primeira-dama registra 43%, contra 48% de Lula, resultado semelhante ao do enteado no confronto direto. No primeiro turno, porém, Michelle aparece com 22%, enquanto Lula marca 41%.
Mesmo com a queda de Flávio, os demais nomes da direita ainda enfrentam dificuldade para atrair eleitores do senador. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, Renan Santos (Missão) tem 3%, Romeu Zema (Novo) permanece com 3%, e Samara Martins (UP) também registra 3%. Augusto Cury (Avante) marca 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO) e Aldo Rebelo (DC) aparecem com 1%.
Aldo Rebelo, no entanto, foi retirado da disputa por seu partido, que agora pretende indicar Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
No PT, os números foram recebidos como uma boa notícia, mas sem euforia. A pré-campanha de Lula avalia que a queda de Flávio Bolsonaro não significa transferência automática de votos para o presidente. Petistas consideram que parte dos eleitores que se afastaram do senador após o caso Dark Horse pode retornar ao campo bolsonarista ao longo da disputa.
A leitura interna é que o voto perdido por Flávio neste momento tende a permanecer na margem dos indecisos ou pode se transformar em abstenção. Para a campanha de Lula, trata-se de um eleitorado com perfil predominantemente anti-Lula, o que dificulta uma adesão espontânea ao presidente.
Por isso, governistas entendem que ainda será necessário disputar esse segmento com trabalho político e comunicação direcionada. A vantagem registrada pelo Datafolha é vista como relevante, mas insuficiente para reduzir a preocupação com a rejeição elevada ao presidente.
O índice de rejeição ajuda a explicar a cautela dos dois lados. Flávio Bolsonaro passou de 43% para 46% e assumiu numericamente a liderança do ranking negativo. Lula aparece com 45%, dois pontos abaixo do levantamento anterior. Como há empate técnico entre os dois, a rejeição segue sendo considerada um dos fatores mais sensíveis da disputa.
Michelle Bolsonaro registra 31% de rejeição e aparece em terceiro lugar nesse indicador. Os demais candidatos, menos conhecidos pelo eleitorado, não ultrapassam a barreira dos 20%.
Enquanto monitora a movimentação no campo adversário, o governo tem intensificado medidas com potencial impacto eleitoral. Entre elas estão a isenção da chamada taxa das blusinhas, o crédito para compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo e o novo Desenrola 2.0, voltado a famílias endividadas.
Lula também mantém uma agenda de entregas de equipamentos de saúde e inaugurações pelo país. Paralelamente, o PT montou uma ofensiva digital contra Flávio Bolsonaro desde a divulgação das mensagens. A estratégia é coordenada pela jornalista Nicole Briones na sede nacional do partido, em Brasília. Ela foi responsável pelas redes sociais de Lula durante o período em que o petista esteve injustamente preso em Curitiba, na Operação Lava Jato.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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