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Apesar das pressões para que desistisse da pré-candidatura, o ex-ministro Ciro Gomes entrou no palco da sede do PDT, em Brasília, ao som do jingle da campanha que entoa "a rebeldia da esperança" e foi enfático: "Tão pensando o quê? Isso é pra valer!" A entrada dele na corrida pela Presidência da República foi oficializada após votação do diretório do partido e posterior apresentação do Projeto Nacional de Desenvolvimento.
No discurso e na entrevista coletiva, Ciro disparou ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao também pré-candidato ao Planalto Sergio Moro (Podemos). Os comentários mais contundentes, no entanto, foram destinados ao petista. Ao apresentar as propostas para a retomada da economia, ele disse que o desmonte já vem de tempos. "(Fernando) Collor escancarou a porteira, Fernando Henrique (Cardoso) serviu a mesa e Lula condimentou melhor os pratos. E, depois, distribuiu as migalhas aos pobres", acusou.
Ciro descartou apoiar Lula num eventual segundo turno e frisou ter ajudado o petista em todas as eleições dele. "Mas eu faço uma pergunta humilde: será que existiria Bolsonaro se não fosse a contradição econômica, social e moral do Lula?", questionou. "Para ele, o Brasil é um objeto, e se ele não estiver na eleição, nada presta para o Brasil. Eu não posso ficar de novo sustentando as irresponsabilidades do Lula."
O ex-governador do Ceará relembrou as eleições anteriores, quando foi criticado por sair do país após não avançar para o segundo turno. "Em 2018, Lula impôs uma candidatura mentirosa, todo mundo sabia que era inelegível. Ele mentiu que era candidato, travou a disputa. Até quando nós vamos aguentar isso? Cabresto de lulopetismo nunca mais", declarou.
Ministro da Fazenda no governo Itamar Franco e da Integração Nacional de Lula, Ciro não poupou críticas também a outros pré-candidatos. Ele definiu Bolsonaro como um "boçal, sem história, sem projeto". "Seria nosso destino cair nas mãos de uma direita obscurantista e criminosa, como a de Bolsonaro?", perguntou.
Sobre a candidatura de Moro, Ciro definiu como "esdrúxula" a proposta da criação de uma Corte anticorrupção. "Seria um tribunal de exceção que violaria cláusulas pétreas. Moro faz de tudo para esconder a prova cabal de seu fracasso", disparou.
Na mais recente pesquisa do Ipespe, divulgada em 14 de janeiro, Ciro aparece em quarto lugar, com 7% das intenções de voto. O levantamento indica que ele está tecnicamente empatado com o terceiro, Moro (9%). Na primeira colocação aparece Lula, com 44%, seguido de Bolsonaro, com 24%.
Estratégia
Para Márcio Coimbra, coordenador de pós-graduação da Universidade Mackenzie é inviável que Ciro assuma o posto de terceira via para quebrar a polarização Lula/Bolsonaro. "Ele encontra barreiras para crescer diante da candidatura de Lula. Faz parte de uma via auxiliar do PT, dividindo votos com o ex-presidente. Se fosse para tirar votos de alguém, seria do próprio petista", observou.
Professor de relações institucionais do Ibmec, Eduardo Galvão comentou o slogan da campanha, que classifica o ex-governador como um rebelde. "Existe, hoje, um movimento de anseio e restabelecimento da confiança nos 'políticos profissionais', que sabem o que estão fazendo. Aparentemente, Ciro tenta se posicionar entre os que ainda estão rebeldes com a política, mas que buscam alguém que entenda do assunto", avaliou.
Propostas
Na maior parte do evento, Ciro falou sobre as políticas macroeconômicas. Apesar disso, quando questionado qual seria o carro-chefe da campanha, ressaltou: "Educação". Para a área, a sigla propõe um programa de ensino, trabalho e assistência profissional, com estágios remunerados pelo governo. Outra iniciativa é a criação de escolas de tempo integral "assim como Brizola fez". A figura do fundador do partido é, desde já, pano de fundo para a campanha.
Na economia, o projeto se opõe à "mesma política econômica que há décadas paralisa o país", segundo o pré-candidato. Ciro destacou a urgência de se ajustar os ponteiros das contas públicas. "Sei da importância de um país viver sem inflação. E sei como fazer, sem sacrificar os mais pobres, como tem sido feito", criticou.
O pedetista frisou que o "caminho errado" é o teto de gastos. "A maior fraude já cometida contra o povo brasileiro", definiu. Ele também assegurou que, se eleito, taxará as grandes fortunas, aplicará uma nova estrutura tributária e lutará pela desoneração da produção.
Sobre possíveis alianças, Ciro adiantou que há negociações ocorrendo. "Temos conversado com PSB, PV, Rede, PSD e DEM. Se isso vai se traduzir em apoio eleitoral, Deus é quem sabe", disse.
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No discurso e na entrevista coletiva, Ciro disparou ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao também pré-candidato ao Planalto Sergio Moro (Podemos). Os comentários mais contundentes, no entanto, foram destinados ao petista. Ao apresentar as propostas para a retomada da economia, ele disse que o desmonte já vem de tempos. "(Fernando) Collor escancarou a porteira, Fernando Henrique (Cardoso) serviu a mesa e Lula condimentou melhor os pratos. E, depois, distribuiu as migalhas aos pobres", acusou.
Ciro descartou apoiar Lula num eventual segundo turno e frisou ter ajudado o petista em todas as eleições dele. "Mas eu faço uma pergunta humilde: será que existiria Bolsonaro se não fosse a contradição econômica, social e moral do Lula?", questionou. "Para ele, o Brasil é um objeto, e se ele não estiver na eleição, nada presta para o Brasil. Eu não posso ficar de novo sustentando as irresponsabilidades do Lula."
O ex-governador do Ceará relembrou as eleições anteriores, quando foi criticado por sair do país após não avançar para o segundo turno. "Em 2018, Lula impôs uma candidatura mentirosa, todo mundo sabia que era inelegível. Ele mentiu que era candidato, travou a disputa. Até quando nós vamos aguentar isso? Cabresto de lulopetismo nunca mais", declarou.
Ministro da Fazenda no governo Itamar Franco e da Integração Nacional de Lula, Ciro não poupou críticas também a outros pré-candidatos. Ele definiu Bolsonaro como um "boçal, sem história, sem projeto". "Seria nosso destino cair nas mãos de uma direita obscurantista e criminosa, como a de Bolsonaro?", perguntou.
Sobre a candidatura de Moro, Ciro definiu como "esdrúxula" a proposta da criação de uma Corte anticorrupção. "Seria um tribunal de exceção que violaria cláusulas pétreas. Moro faz de tudo para esconder a prova cabal de seu fracasso", disparou.
Na mais recente pesquisa do Ipespe, divulgada em 14 de janeiro, Ciro aparece em quarto lugar, com 7% das intenções de voto. O levantamento indica que ele está tecnicamente empatado com o terceiro, Moro (9%). Na primeira colocação aparece Lula, com 44%, seguido de Bolsonaro, com 24%.
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Para Márcio Coimbra, coordenador de pós-graduação da Universidade Mackenzie é inviável que Ciro assuma o posto de terceira via para quebrar a polarização Lula/Bolsonaro. "Ele encontra barreiras para crescer diante da candidatura de Lula. Faz parte de uma via auxiliar do PT, dividindo votos com o ex-presidente. Se fosse para tirar votos de alguém, seria do próprio petista", observou.
Professor de relações institucionais do Ibmec, Eduardo Galvão comentou o slogan da campanha, que classifica o ex-governador como um rebelde. "Existe, hoje, um movimento de anseio e restabelecimento da confiança nos 'políticos profissionais', que sabem o que estão fazendo. Aparentemente, Ciro tenta se posicionar entre os que ainda estão rebeldes com a política, mas que buscam alguém que entenda do assunto", avaliou.
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Na maior parte do evento, Ciro falou sobre as políticas macroeconômicas. Apesar disso, quando questionado qual seria o carro-chefe da campanha, ressaltou: "Educação". Para a área, a sigla propõe um programa de ensino, trabalho e assistência profissional, com estágios remunerados pelo governo. Outra iniciativa é a criação de escolas de tempo integral "assim como Brizola fez". A figura do fundador do partido é, desde já, pano de fundo para a campanha.
Na economia, o projeto se opõe à "mesma política econômica que há décadas paralisa o país", segundo o pré-candidato. Ciro destacou a urgência de se ajustar os ponteiros das contas públicas. "Sei da importância de um país viver sem inflação. E sei como fazer, sem sacrificar os mais pobres, como tem sido feito", criticou.
O pedetista frisou que o "caminho errado" é o teto de gastos. "A maior fraude já cometida contra o povo brasileiro", definiu. Ele também assegurou que, se eleito, taxará as grandes fortunas, aplicará uma nova estrutura tributária e lutará pela desoneração da produção.
Sobre possíveis alianças, Ciro adiantou que há negociações ocorrendo. "Temos conversado com PSB, PV, Rede, PSD e DEM. Se isso vai se traduzir em apoio eleitoral, Deus é quem sabe", disse.