BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (19/3), do anúncio da pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. O evento aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista, e berço político de Lula.

O ministro da Fazenda deve enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Estamos presentes no ato o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e representantes dos partidos aliados ao PT: Psol, PSB, PCdoB, PDT e PV.

"Estamos apresentando o Haddad porque é melhor que todos que se colocam como candidatos, inclusive o atual governador. Bem melhor", declarou Lula.

Em seu discurso, o presidente reconheceu falhas da esquerda no campo da comunicação digital e cobrou mudanças dos aliados para que possam fazer a disputa na eleição de 2026. 

"Estamos vivendo uma revolução da comunicação. Precisamos aprender a trabalhar para poder fazer a disputa com a extrema direita, que é mais profissional. É só ver o sucesso deles no mundo. É só ver o Trump, que a gente vai perceber a importância da internet, nós precisamos aprender a utilizar", afirmou o petista.

Lula também apontou a polarização política nas disputas e considerou que isso dificulta no convencimento dos eleitores.

"Hoje não tem mais aquela mobilidade no eleitorado, que a gente poderia convencer do primeiro para o segundo turno. Hoje a eleição toda é 49 a 51, 48 a 52. É muito disputada e não há espaço para vacilação", destacou Lula.

O petista informou que está "definindo o time" para ganhar a disputa em São Paulo e insinuou que Geraldo Alckmin pode ser novamente compor a chapa como vice-presidente, mas também pode disputar o Senado. "Vai ser o que quiser, mas tem que pensar o que é melhor para São Paulo".

Além disso, ele citou o nome de Simone Tebet como candidata ao Senado no estado. Nos bastidores, os petistas reconhecem que será difícil derrotar o governador, que deve concorrer à reeleição, mas acreditam que é preciso lançar o nome mais forte possível para a missão.

"Estamos diante do maior desafio em 2026. Nós temos que trabalhar pra não deixar o que está sendo planejado pelo outro lado acontecer, que é colocar em risco a soberania nacional, a democracia, o incipiente estado de bem-estar social que estamos construindo", afirmou Haddad.

Haddad negou, em sua fala, que está indo para o “sacrifício”, já que o governador Tarcísio de Freitas está à frente nas pesquisas de intenção de voto, mas disse que é um “grande privilégio” participar da disputa. 

Haddad deixa Fazenda nesta sexta-feira (20/3)

Mais cedo, Lula alfinetou o governador de São Paulo, durante evento na capital paulista. Apesar de não citar o nome de Tarcísio, Lula afirmou que os prefeitos do estado reclamam da gestão estadual. 

“Pelo que estou sabendo, os prefeitos de São Paulo são pouco e mal recebidos pelo governo do estado”, criticou Lula, na abertura da Caravana Federativa, evento que leva ações do governo federal aos estados. 

O governo ainda discute a formação da chapa em São Paulo. A ideia é que Simone Tebet e Marina Silva sejam candidatas ao Senado, enquanto Alckmin será o coordenador da campanha e atuará principalmente no interior do estado. O nome para a vaga de vice ainda não definida.

Fernando Haddad deixa o cargo ministro da Fazenda nesta sexta-feira (20/3). Nesta quinta-feira (19/3), o presidente Lula confirmou que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, vai substituir o ministro Fernando Haddad à frente da pasta.  

“O Dario será o substituto do Haddad. Olhem bem para a cara dele, porque é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse o petista, durante evento em São Paulo.