Brasil247 – O empresário João Amoêdo, fundador e ex-presidente do partido Novo, declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar de fazer duras críticas à gestão petista, Amoêdo considera que a eleição do filho de Jair Bolsonaro (PL) representaria um risco maior para o futuro político do país, especialmente diante da possibilidade de perpetuação da família Bolsonaro no poder. As informações são do UOL. 

Na avaliação de Amoêdo,Lula cometeu erros ao longo do governo e não deveria ter buscado um novo mandato. Já Flávio Bolsonaro, segundo Amoêdo, não reúne as qualidades necessárias para exercer a Presidência da República.

O fundador do Novo afirmou que Lula “errou do início ao fim do seu mandato”. Para ele, a decisão de disputar um quarto mandato presidencial foi o principal equívoco do petista, especialmente diante da “baixa aprovação e com as limitações da idade”.

Apesar das ressalvas ao atual presidente, Amoêdo considera a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda mais problemática. O empresário sustenta que “falta postura, credibilidade e competência” ao senador para comandar o país.

Na avaliação do ex-dirigente partidário, Flávio não apresentou iniciativas relevantes durante sua trajetória parlamentar e “é conhecido apenas pelo sobrenome”. Amoêdo também questionou as prioridades políticas do candidato do PL, afirmando que seu principal objetivo seria “conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe”.

Eleições de 2030 pesam na decisão

Além das críticas às candidaturas, Amoêdo afirmou que sua escolha leva em consideração o cenário político que poderá se formar após as eleições de 2026.

Segundo o empresário, uma eventual vitória de Lula significaria o início de seu último mandato presidencial, em um contexto de forte oposição no Senado. Essa configuração, em sua avaliação, poderia favorecer a renovação das lideranças políticas na disputa de 2030.

A eleição de Flávio Bolsonaro, por outro lado, abriria a possibilidade de o senador disputar a reeleição quatro anos depois. Amoêdo também considera que o candidato do PL poderia contar com uma base de sustentação formada por aliados na Câmara dos Deputados, no Senado e em governos estaduais.

O empresário vê diferenças importantes entre esses dois cenários, sobretudo em relação à alternância de poder e à possibilidade de surgimento de novas lideranças nacionais.

“São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder”, afirmou. 

A declaração sintetiza o principal argumento apresentado por Amoêdo para justificar o apoio a Lula, mesmo diante de sua avaliação negativa sobre o desempenho do governo petista.

Do apoio a Jair Bolsonaro ao voto em Lula

A posição anunciada por Amoêdo representa uma mudança significativa em relação à sua trajetória política. O empresário foi um dos fundadores do Novo, criado em 2011 com uma plataforma liberal e um discurso de oposição ao Partido dos Trabalhadores.

 

Engenheiro e ex-executivo do mercado financeiro, Amoêdo presidiu a legenda desde seu registro oficial, em 2015, até 2020. Nesse período, tornou-se uma das principais figuras do partido e participou diretamente de sua consolidação no cenário eleitoral brasileiro.

Em 2018, disputou a Presidência da República pelo Novo e terminou o primeiro turno na quinta colocação. Na segunda etapa daquela eleição, declarou apoio a Jair Bolsonaro, então candidato do PSL, contra Fernando Haddad, representante do PT.