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O primeiro escalão da Prefeitura de Belo Horizonte teve nesta terça-feira (1º de abril) a primeira baixa após o falecimento do chefe do Poder Executivo municipal, Fuad Noman (PSD), com um comunicado de demissão feito pelo chefe de gabinete de Fuad, Daniel da Cunha Messias Roque, ao prefeito em exercício, Álvaro Damião (União). A reportagem entrou em contato com a prefeitura para posicionamento sobre o pedido de demissão e aguarda retorno.

Messias fazia parte do chamado "núcleo duro" do governo de Fuad, integrado ainda pelo secretário-geral, Luiz Schmitt Prym, o procurador-geral, Hércules Guerra, e o secretário de Relações Institucionais, Paulo Lamac. Ao menos até o momento, entre os integrantes do "núcleo duro" de Fuad, Messias é o único que deixa a prefeitura. 

Reportagem de O Tempo nesta segunda-feira (31 de março) mostrou que Damião vai tentar dar seu rosto à administração, mas sem se desprender da imagem de Fuad. Messias e os auxiliares mais próximos do prefeito, morto na semana passada, reclamavam da pressão de pessoas de fora da prefeitura sobre Damião para alterações no governo durante a internação do prefeito, iniciada em 3 de janeiro.

Além da demissão do chefe de gabinete de Fuad, Damião já iniciou articulações para manter coesa sua base na Câmara. Apesar de o prefeito em exercício ter conseguido aumentar o número de aliados na Casa, existe o temor de que, com a morte de Fuad, o quadro se altere.

Neste sentido, o prefeito em exercício reconduziu aos cargos dois indicados do vereador Wagner Ferreira (PV) que haviam sido demitidos em fevereiro. Os postos ficam na Regional Venda Nova. Nesta segunda-feira (31 de março), Wagner publicou nas redes sociais vídeo em que anuncia sua entrada na chamada "Família Aro", grupo de vereadores ligados ao secretário de Estado de Governo.

A "Família Aro", que tem o presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), como um de seus integrantes, faz oposição ao governo. O grupo é formado por nove parlamentares. A prefeitura conta hoje com 23 vereadores. A Casa tem 41 cadeiras. Os demais parlamentares ou também fazem oposição ao governo ou se colocam como independentes.

Wagner Ferreira foi vice-líder do governo Fuad em 2023 e 2024. A reportagem também entrou em contato com o vereador para posicionamento sobre a recondução de aliados a cargos na prefeitura e aguarda retorno.