Brasil247 – O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) perdeu a disputa pelo Senado em Minas Gerais neste domingo (4) e ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em quatro décadas quando encerrar seu atual período na Câmara dos Deputados, em 2027. Marília Campos (PT) e o senador Carlos Viana (PSD) conquistaram as duas vagas em disputa pelo estado.

A derrota interrompe uma trajetória de mandatos consecutivos iniciada em 1986. Aos 66 anos, Aécio terminou a eleição atrás de Marília, ex-prefeita de Contagem, e de Viana, que disputava a permanência no Senado. Os dois integrarão a bancada mineira ao lado de Cleitinho Azevedo (Republicanos) — ou de seu suplente, Alex Diniz (PL), caso Cleitinho seja eleito governador de Minas Gerais.

Presidente nacional do PSDB, Aécio entrou na disputa pelo Senado depois de mudanças na composição da chapa. Primeiro, Marcelo Heringer (PDT), cujo partido integrava a aliança tucana em Minas, deixou a candidatura. Depois, o também tucano Gustavo Galassi saiu da corrida. Ambos passaram a ocupar posições de suplentes na chapa de Aécio.

A candidatura foi apresentada em 28 de agosto, depois das convenções partidárias e da oficialização inicial dos nomes, ocorrida em 15 de agosto. A legislação eleitoral admite substituições de candidaturas em situações específicas, como morte, inelegibilidade ou desistência do candidato inicialmente registrado.

Antes de definir a candidatura ao Senado, Aécio chegou a considerar uma nova disputa pela Presidência da República. O tucano, no entanto, acabou optando pela eleição em Minas Gerais em uma campanha presidencial marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A derrota deste domingo representa apenas a segunda eleição perdida por Aécio ao longo de sua carreira. A anterior havia sido a disputa presidencial de 2014, quando foi derrotado no segundo turno pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Aécio iniciou a trajetória política como assessor do avô, Tancredo Neves. Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte pelo então PMDB e apresentou uma emenda para permitir o voto aos 16 anos. Ingressou no PSDB em 1989 e assumiu a presidência nacional da legenda em 2013.

Ao longo de quatro décadas, foi eleito deputado federal seis vezes, nos pleitos de 1986, 1990, 1994, 1998, 2018 e 2022. Também governou Minas Gerais por dois mandatos, após vencer as eleições de 2002 e 2006, e chegou ao Senado em 2010.

A eleição presidencial de 2014 marcou o período de maior projeção nacional do tucano. Nos anos seguintes, Aécio foi atingido por denúncias relacionadas a desdobramentos da Operação Lava Jato e pela divulgação de uma gravação em que pedia R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.

Na declaração de bens apresentada para a eleição de 2026, Aécio informou patrimônio de R$ 22,5 milhões. Em 2022, havia declarado R$ 1,9 milhão. Segundo sua assessoria, R$ 21 milhões do valor atual correspondem a bens herdados da mãe, falecida em 2023.

“A mãe do deputado era viúva do empresário e banqueiro Gilberto Faria e deixou bens em herança para seus filhos, entre eles o deputado Aécio Neves”, informou a assessoria.

Do patrimônio declarado, R$ 12,5 milhões estão concentrados em imóveis. Dois deles, localizados em Santa Catarina e no Rio de Janeiro e herdados da mãe, somam R$ 8,6 milhões. A declaração também inclui uma propriedade rural recebida por herança, um apartamento em Belo Horizonte avaliado em R$ 222 mil e um terreno rural de R$ 87 mil.