O deputado federal Aécio Neves (PSDB) e o pré-candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) acertam os últimos detalhes de uma aliança entre o PDT e o PSDB em Minas. O acordo seria para que Aécio seja candidato ao Senado e Kalil a governador de Minas. Fontes ligadas aos dois candidatos confirmaram as conversas e garantiram que o acerto está próximo, mas uma definição pode não sair até a convenção da federação PSDB-Cidadania, marcada para a próxima terça-feira (28). 

A possibilidade de Aécio Neves ser candidato ao Senado já havia sido antecipada pelo ex-governador em entrevista exclusiva ao Café com Política, no começo de julho. 

A possível aliança do PDT com o PSDB em Minas iria na contramão da decisão da Executiva Nacional do PDT de apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora o apoio ao petista tenha sido formalizado nesta segunda-feira (20), a sigla liberou as executivas estaduais para negociar as alianças locais. 

A união entre Kalil e Aécio também esfria uma reaproximação da Federação PSOL-Rede com o PDT em Minas. A ideia, que chegou a ser ventilada em abril, voltou a circular após lideranças do PSOL avaliarem que a ideia de emplacar a ex-deputada federal Áurea Carolina como candidata ao Senado na chapa encabeçada por Patrus Ananias (PT) pode não prosperar.   

O movimento dos tucanos na direção do PDT acontece em meio a informações de que o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, teria discutido com Aécio uma aliança do ex-senador com o PL em Minas. Segundo interlocutores do tucano, essa costura foi dificultada pela demora do PL em definir se apoia a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos), que vem adiando sistematicamente sua decisão sobre uma candidatura ao governo de Minas, ou se lança uma candidatura própria, que poderia ser encabeçada pelo ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. 

Aécio também chegou a se reunir com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), que já foi presidente do PSDB Jovem e militou pela eleição presidencial de Aécio em 2014, mas as tratativas não evoluíram. 

“O PSDB vai acompanhar por mais alguns dias o desenrolar do indefinido quadro político mineiro, mas temos uma  inclinação forte por uma candidatura de centro. Temos conversas avançadas com o Alexandre Kalil, temos ótima relação com o Vittorio Medioli, que, no partido, há muitos que defendem o seu nome, mas lamentamos que sua candidatura esteja dependendo da definição do senador Cleitinho. Também admiramos o Gabriel Azevedo (MDB) e a inteligência dele, mas, neste momento, não só pelo desempenho nas pesquisas, mas pela coerência nas atitudes, e pelo posicionamento muito bem definido é inegável que estamos mais próximos da candidatura do ex-prefeito Alexandre Kalil”, declarou o deputado federal e presidente do PSDB-MG, Paulo Abi-Ackel. 

O presidente do PDT em Minas Gerais, deputado federal Mário Heringer, também garantiu que as conversas do partido com o PSDB “estão bem encaminhadas”. 

Acordo nacional

Possíveis aliados em Minas, PDT e PSDB estarão em lados opostos no cenário nacional. O PDT definiu em sua convenção nacional, realizada ontem (20), em Brasília, que vai apoiar a reeleição do presidente Lula (PT). O evento contou com a presença do presidente da República e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Em entrevista ao Café com Política, no começo de julho, Aécio Neves, que é o presidente nacional do PSDB, disse que a prioridade da sigla era se preparar para a eleição de 2030 e que poderia não se posicionar no cenário nacional, mas antecipou que não existe qualquer possibilidade de aliança com o PT.