Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmar, na terça-feira (31/3), que o vice Geraldo Alckmin (PSB) permanecerá na chapa à reeleição, articulações que vinham se desenrolando a passos lentos em Minas deslancharam. O senador Rodrigo Pacheco (PSD), por exemplo, que há meses postergava uma decisão, confirmou ainda nesta terça sua filiação ao PSB. Ela vai acontecer nesta quarta-feira (1º/4), em Brasília.

Horas antes, o ex-procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Jarbas Soares, aliado de Pacheco, anunciou sua saída da instituição e confirmou à reportagem que o movimento ocorre com vistas a uma disputa eleitoral. Ele não confirmou o partido que irá se filiar, mas apurações apontam que o destino pode ser o PSB.

A permanência de Alckmin (PSB) como vice de Lula encerra as negociações de uma ala do MDB que defendia a indicação de um nome do partido para compor a chapa presidencial, como forma de consolidar apoio da legenda à reeleição do petista. Nessa linha, o MDB também defendia o nome de Pacheco como candidato ao governo de Minas.

Sem entrar na chapa de Lula, o MDB está dividido entre integrantes alinhados ao governo - como os ministros Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades) - e outros menos inclinados ao presidente. Outro impacto é que não foi possível uma força nacional para colocar Pacheco na legenda e na disputa pelo partido.

 Em Minas, então, o nome do MDB para o Palácio Tiradentes é o ex-presidente da Câmara de BH Gabriel Azevedo, que se coloca como candidato de centro e resiste a abrir mão da disputa. O presidente estadual da legenda, deputado federal Newton Cardoso Júnior, também sustenta a candidatura de Gabriel.

Nos próximos meses, o MDB ainda pode se aproximar mais do Palácio do Planalto e rever posições nos estados, mas, até o fim da semana, políticos precisam tomar decisões partidárias diante da janela eleitoral. Pela legislação, tanto Alckmin, hoje ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, quanto Jarbas, procurador do MP, não podem permanecer nos cargos após 4 de abril caso pretendam se candidatar. Além disso, precisam estar filiados aos partidos pelos quais irão disputar as eleições.

Nesse cenário, o PSB é visto como uma sigla com “a casa arrumada”. Para Pacheco, a legenda garantiria a candidatura ao governo, caso opte por entrar na disputa, além de alinhamento com Lula - embora com um fundo partidário e eleitoral mais limitado.

Outro aliado de Pacheco também definiu seu rumo eleitoral nesta terça. O prefeito de Nova Lima, João Marcelo (Cidadania), decidiu por não renunciar ao Executivo municipal para disputar as eleições de outubro.

Filiação de Jarbas 

A aposentadoria de Jarbas precisa ser publicada no Diário Oficial para viabilizar a filiação a um partido, que, segundo apuração, pode ser o PSB. Na segunda-feira (30/3), ele se reuniu com Pacheco em Brasília e, de acordo com interlocutores, ambos convergiram para a escolha da legenda. Um dos fatores considerados é que o PSB não exigiria, neste momento, a definição de um cargo específico, ou mesmo a garantia de uma candidatura.

Durante o encontro, Jarbas teria manifestado a intenção de se aposentar, e ouvido de Pacheco a avaliação de que o movimento agora garantiria as condições legais para uma eventual candidatura, deixando a definição de cargo para mais adiante. 

Ao ser questionado sobre filiação e planos eleitorais, Jarbas evitou fazer antecipações e afirmou que “a decisão está nas mãos do Rodrigo Pacheco”. Segundo ele, falará mais abertamente sobre política a partir da manhã desta quarta-feira (1º/4), data que deve ser publicada sua aposentadoria no diário oficial. A despedida do Ministério Público foi feita na tarde desta terça, por meio de publicação em rede social. 

O procurador de Justiça sinalizou à reportagem que não pretende disputar vagas proporcionais, como deputado estadual ou federal. Não descartou, no entanto, uma candidatura ao Senado, embora tenha ponderado que a disputa “depende mais de conjuntura do que de performance”. “Mas aceito até a função de carregar malas, se for o caso”, disse. 

“Não vou sair do MP para entrar numa aventura. Não estou atrás de cargo e nem de emprego. O que pretendo é participar de um projeto político que melhore a vida dos mineiros e recupere o prestígio e a pujância do estado”, afirmou. 

Jarbas também negou mágoa do governador Romeu Zema (Novo), hoje pré-candidato à Presidência da República, mas admitiu “desconforto” com a escolha de Paulo de Tarso Morais Filho para o comando do MPMG em 2024. À época, Zema optou pelo nome apoiado pelo secretário Marcelo Aro - em detrimento de Carlos André Marian Bittencourt, que contava com o apoio de Jarbas —, decisão que, segundo interlocutores, contribuiu para um processo de afastamento e desencanto com o MP. Ao apoiar uma eventual candidatura de Pacheco, Jarbas ficaria do lado contrário de Zema, que apoia Mateus Simões.