A “renovação líquida” e genuína do Congresso nas eleições de 2026 até que não foi tão grande, se levarmos em conta, por exemplo, políticos que já exerciam outros cargos nos estados ou que pularam da Câmara para o Senado.

Mas a próxima legislatura vai lembrar, sim, o panorama de 2019, quando, com Jair Bolsonaro na Presidência, o Parlamento foi tomado por um monte de gente com celular na mão, deslumbrada com Brasília e seus prazeres e se gabando de fazer parte da tal “nova política”.

Naquela ocasião, nomes isolados buscavam likes e “carreira virtual solo”. E patotas ideológicas se sobrepunham às articulações comandadas por frentes parlamentares. Virou uma várzea.

 É com essa memória que, ainda que o Congresso tenha feito uma curva acentuada à direita uma semana atrás, no domingo, 4, lideranças políticas mais experientes apostam que, ao contrário do que se tem dito, Flávio Bolsonaro, eventualmente eleito em segundo turno, não terá tanto controle desses parlamentares aliados, em tese.

Jovens, candidatos eleitos sem experiência legislativa, influencers e outsiders poderão até “oxigenar” as discussões e movimentar os plenários com suas lives, embates e discursos lacradores. O fato de, nesse provável cenário, pertencerem ao mesmo campo político do presidente, porém, não seria garantia alguma de tranquilidade em Brasília. Pelo contrário.

Quando Jair Bolsonaro chegou ao poder, a bancada do extinto PSL, então partido do presidente, era a maior da Câmara, assim como o PL agora. E foi uma confusão tremenda. A briga de egos, a vaidade e o despreparo dos novatos fizeram a bancada implodir rapidamente. O então líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir, chegou a ser gravado chamando Jair de “vagabundo”. A confusão sem fim acabou resultando, um pouco mais tarde, na saída do presidente da República da legenda.

Pode ser que seja diferente, claro, mas, por precaução, segurem-se.