Armadilhas

Não bastassem os abusos cometidos, como dar 'grau', andar na contramão, levar passageiro e carregar sacola no guidão, alguns usuários das patinetes elétricas em Belo Horizonte abandonam os equipamentos em qualquer lugar. Os equipamentos têm sido largados em praças, ciclovias, esquinas, barrancos e até viadutos. O serviço foi retomado na capital há uma semana com a operação de 1,5 mil dispositivos compartilhados.

Nas calçadas de BH, há flagrantes de patinetes deixadas sobre bueiros, tampas da rede subterrânea de serviços e piso tátil, essencial para a orientação e segurança de pessoas com deficiência visual. As armadilhas capazes de prejudicar a mobilidade urbana e a acessibilidade despertam queixas de pedestres e motoristas da capital.

Um vídeo gravado pelo influencer Eduardo Piastrelli mostra três patinetes abandonadas na mesma região: uma sobre o viaduto Helena Greco (antigo Elevado Castelo Branco) e as outras duas às margens da via, no bairro Carlos Prates, na região Noroeste.

Mas não tem estação fixa?  

Para o professor do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG, Guilherme Leiva, é preciso ter uma logística rigorosa.

"O bom funcionamento tem que ter duas partes: a primeira é a própria concessionária, que deve, de tempos em tempos e ao fim do dia, redistribuir esses patinetes em locais de maior demanda. A segunda é o processo de educação do usuário, que precisa se acostumar a buscar áreas adequadas", explica Leiva.

Segundo o especialista, o ideal para prevenir acidentes e transtornos é que os equipamentos sejam deixados em partes da calçada onde não interrompam o fluxo de pedestres, evitando esquinas, meio-fio e, claro, a própria rua.
'Acredito que o povo de Belo Horizonte vai fazer tudo certinho', disse Damião

Na semana passada, em meio às discussões sobre regras, fiscalização e riscos à segurança com o retorno das patinetes elétricas em BH, o prefeito Álvaro Damião (União) que a expectativa era de uso consciente pela população, sem necessidade de punições. “Eu acredito que o povo de Belo Horizonte vai fazer tudo certinho”, disse.

O que diz PBH e empresa? 

A Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte (Sumob) informou que, após a utilização das patinetes elétricas, a devolução deve ser feita em um "ponto de coleta específico", destinado para o estacionamento, de forma segura e sem bloquear a calçada. Dentro do aplicativo existe um mapa indicando os pontos de desembarque ou estação virtual, foto do local e informações sobre como desativar o patinete de forma segura.

"A JET Patinetes Elétricos (responsável pela operação do serviço em BH) deve recolher os equipamentos que estiverem estacionados em área pública causando prejuízo ou desordem à mobilidade, ao trânsito e ao ordenamento urbano ou fora da área de operação", informou a PBH, que ainda disse que a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte realiza ações de monitoramento e orientação aos usuários, especialmente em situações de uso irregular ou inadequado.

Já a JET Patinetes Elétricos, informou que “orienta todos os seus usuários, antes e após cada viagem pelo aplicativo, a estacionarem as patinetes de forma responsável, sem obstruir a circulação de pedestres, ciclistas ou veículos”.

Além disso, informou que conta com canais de atendimento abertos para que qualquer cidadão reporte ocorrências, além de uma equipe operacional dedicada ao reposicionamento diário dos veículos. 

As reclamações podem ser feitas pelo email (support@jetshr.com), WhatsApp (11) 91541-6915) ou Telegram.
Após os flagrantes mostrados pelo Hoje em Dia, a empresa reforçou que vai iniciar o trabalho de fiscalização “em breve”, com apoio de tecnologia de geolocalização e equipes em campo, para identificar e corrigir situações de mau uso.

Usuário da patinete pode ser punido?

Segundo a JET Patinetes Elétricos, "condutas inadequadas, incluindo estacionamento irregular, podem resultar em advertências e bloqueio permanente de conta”. 

A companhia reforçou ainda que o uso é individual e permitido apenas para pessoas com 18 anos ou mais, sendo proibido conduzir sob efeito de álcool ou outras substâncias, devendo sempre respeitar regras de trânsito, sinalizações e pedestres.

O Hoje em Dia entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte, mas não houve retorno até a publicação da reportagem. 

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Patinetes são encontradas paradas em ciclovias, calçadas e até sobre o piso tátil, destinado à orientação de pessoas com deficiência visual (Valéria Marques/ Hoje em Dia)

Usuários dão grau, andam na contramão, levam passageiro e carregam sacola no guidão

No sábado (21), o Hoje em Dia mostrou a volta das patinetes elétricas nas ruas e calçadas de Belo Horizonte já é marcada pela irresponsabilidade e falta de fiscalização. Usuários ignoram regras, se arriscam em meio ao uso incorreto e colocam em perigo os pedestres ao redor. 

Flagrantes mostram usuários empinando a patinete, o transporte de mais de uma pessoa no mesmo dispositivo e menores de idade utilizando o equipamento - permitido apenas para maiores de 18 anos em BH. Alguns trafegam na contramão, outros estão com fone de ouvido e há até quem carregue sacolas no guidão. Os atos de incivilidade aumentam o risco de acidentes. 

Após os flagrantes mostrados pelo Hoje em Dia, a Guarda Municipal informou, neste sábado (21), que vai intensificar a fiscalização do uso irregular das patinetes. Segundo o órgão, agentes da corporação e da BHTrans monitoram e orientam os usuários em casos de utilização inadequada.