SOLIDARIEDADE

O risco de fechamento de uma instituição que acolhe crianças, adolescentes e adultos com deficiência, além de idosos em situação de vulnerabilidade, acende um alerta urgente. O Núcleo Assistencial Caminhos para Jesus, no bairro Floramar, na região Norte de BH, enfrenta queda nas doações, aumento de custos e já começou a reduzir serviços. Hoje, o espaço abriga 125 pessoas e atende outras centenas, com assistência 24 horas, e depende majoritariamente da solidariedade para funcionar.

“Se as doações não aumentarem, pode acontecer de fechar”, afirma Deborah Nunes Coutinho Leal, assessora da diretoria da instituição. “Aqui é a casa dessas pessoas. Se fechar, elas não têm para onde ir, literalmente”, completa.

Fundado em 1969, o Caminhos para Jesus nasceu de um trabalho simples de distribuição de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade na região da Pampulha. Com o tempo, a iniciativa cresceu e passou a atender um público até então pouco assistido: crianças com paralisia cerebral e outras deficiências.

Hoje, a estrutura ocupa cerca de 15 mil metros quadrados e reúne três unidades de acolhimento e atendimento especializado. Ao todo, mais de 330 pessoas são impactadas diretamente pelos serviços oferecidos, que incluem moradia, educação, reabilitação e cuidados de saúde.

Atendimento contínuo e histórias de vida

Dentro do Núcleo, vivem atualmente 69 pessoas com deficiência e 40 idosos acolhidos, muitos deles abandonados ou sem condições de permanecer com a família. Além disso, a instituição mantém uma escola de educação especial com cerca de 200 alunos e atende crianças com suporte multidisciplinar.

O cuidado é integral. A rotina envolve acompanhamento médico, fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, odontologia e alimentação assistida. O impacto desse cuidado aparece em histórias do dia a dia.

Segundo Deborah Leal, há idosos que chegam em estado de fragilidade extrema e recuperam qualidade de vida dentro da instituição. “A gente tem uma preocupação que vai além do básico. Todos os acolhidos têm plano de saúde, e os casos mais graves recebem atendimento domiciliar especializado”, explica. 

Queda nas doações e efeito da pandemia

Apesar da relevância do trabalho, o Caminhos para Jesus enfrenta uma crise financeira crescente. Cerca de 90% da receita vem de doações de pessoas físicas - um modelo que tem se tornado insustentável. “Os nossos doadores são, em sua maioria, pessoas acima de 65 anos. Muitos faleceram, principalmente durante a pandemia.

A gente perdeu metade dos doadores”, afirma Deborah.

Para manter o funcionamento, a instituição tem recorrido a reservas financeiras e a ações emergenciais. “A gente tem sobrevivido de pequenos milagres. Mas não dá para contar só com isso”, diz.

Cortes e risco de novos fechamentos

A crise já trouxe impactos concretos. Um dos serviços voltados à socialização de alunos com deficiência precisou ser encerrado por falta de recursos. Agora, há risco de novas reduções. “A gente vai priorizando quem mora aqui. Se precisar, fecha primeiro a escola, depois outros serviços. É uma escolha muito difícil, mas necessária para garantir o básico”, explica.

O custo da operação é alto. Apenas dois meses de medicamentos para os acolhidos podem chegar a R$ 30 mil. Além disso, há gastos com alimentação especial, fraldas e manutenção da estrutura. “A gente não consegue reduzir cuidadores, nem equipe de limpeza ou manutenção. São serviços essenciais para manter essas pessoas com dignidade”, afirma.

Entre as principais necessidades estão recursos financeiros, itens de higiene e alimentação. Fraldas descartáveis, por exemplo, estão entre os produtos mais demandados, especialmente pela baixa qualidade das fornecidas pelo sistema público. 

Como ajudar

A instituição recebe doações de diversas formas, incluindo dinheiro, alimentos, fraldas e trabalho voluntário. As contribuições são fundamentais para manter os atendimentos e a estrutura funcionando.

Entre as formas de apoio estão:

Doações financeiras para custeio das despesas;

Alimentos não perecíveis, fórmulas nutricionaie e fraldas;

Trabalho voluntário em diversas áreas.

As doações também podem ser feitas por meio do site oficial da instituição, que também disponibiliza informações sobre transparência e prestação de contas. O local está aberto para visitação. “Não temos nada a esconder. As pessoas podem vir, conhecer e ver de perto o trabalho. Cada ajuda faz diferença”, afirma Deborah.