Av. Afonso Pena

Profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Belo Horizonte realizam, nesta quarta-feira (20), no Dia Nacional do Técnico em Enfermagem, uma manifestação contra a redução de equipes nas ambulâncias da capital. O ato ocorre em frente à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), na avenida Afonso Pena, no Centro da cidade, e reúne técnicos de enfermagem, enfermeiros e apoiadores da saúde pública.

Os trabalhadores criticam a retirada de cerca de 80 técnicos de enfermagem das ambulâncias do serviço e afirmam que a mudança compromete o atendimento à população e aumenta a sobrecarga das equipes que continuam atuando nas ruas.

Enfermeira da Central de Regulação do Samu e conselheira estadual de saúde, Érika Santos afirmou que a mobilização tem como objetivo pressionar a prefeitura a desistir da ação judicial que prevê a alteração das equipes nas ambulâncias.

“O nosso pedido para o prefeito é que torne extinta essa ação e respeite o Samu de Belo Horizonte. Queremos discutir melhorias para o serviço, mas de maneira técnica e planejada”, afirmou.

Segundo ela, a categoria já percebe sinais de impacto no funcionamento das ambulâncias após as mudanças implementadas no início de maio.“Já temos indícios de indicadores desfavoráveis, como maior necessidade de apoio entre ambulâncias. A qualidade do serviço pode cair”.

A profissional também informou que trabalhadores organizam uma caravana para Brasília em busca de diálogo com o Ministério da Saúde sobre a situação do Samu na capital mineira.

O Hoje em Dia entrou em contato com a pasta e com a Prefeitura de BH e aguarda retornos. 

‘Para concluir o trabalho com segurança, o mínimo necessário são três pessoas’, diz profissional

Durante a manifestação, técnicos de enfermagem relataram dificuldades enfrentadas no atendimento de ocorrências com equipes reduzidas. A técnica de enfermagem Moabe Sidônio, de 57 anos, afirmou que já precisou atuar sozinha em atendimentos graves durante os 16 anos em que trabalhou nas ruas.

“Você chega em uma ocorrência sem saber o tamanho da gravidade. Já atendi parada cardiorrespiratória apenas com o condutor da ambulância me ajudando. A gente entra em exaustão física e emocional”, contou.

Ela também defendeu a manutenção das equipes completas nas viaturas. “Só quem está na prática sabe o esforço que fazemos. Para concluir o trabalho com segurança, o mínimo necessário são três pessoas”, afirmou.

A técnica de enfermagem aposentada Ângela de Assis também participou do ato e criticou a redução de profissionais na saúde municipal. “Não existe atendimento à saúde sem os profissionais da enfermagem. Se os contratos deixam de ser renovados, quem perde é a população”.