A população em situação de rua em Belo Horizonte aumentou 30% nos últimos cinco anos, segundo levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O número de pessoas em extrema vulnerabilidade saiu de 11.858, em 2020, para 15.474, em 2025. 

O cenário é ainda mais crítico em âmbito estadual, já que em Minas o número subiu de 23.433 para 33.139, crescimento de 41% nos últimos cinco anos. O estado é a terceira unidade federativa com mais moradores em situação de rua, atrás apenas de São Paulo (150.958) e Rio de Janeiro (33.656). 

Os pesquisadores ressaltam que os dados são baseados exclusivamente em pessoas em situação de extrema vulnerabilidade inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Ou seja, os dados podem ser ainda maiores.

A pesquisa mostra aumento constante dos sem-teto em BH. Os registros subiram para 10.471 em 2022, ultrapassaram a marca de 12,9 mil no ano seguinte e chegaram a 14.319 em 2024, até atingir o patamar atual. Em Minas, a curva de crescimento seguiu a mesma tendência. 

População de rua nos últimos cinco anos
Belo Horizonte
2020 - 11.858
2021 - 9.157
2022 - 10.471
2023 - 12.916
2024 - 14.319
2025 - 15.474

Minas 
2020 - 23.433
2021 - 18.700
2022 - 20.442
2023 - 26.470
2024 - 30.244
2025 - 33.139

Análise dos pesquisadores
Os pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/POLOS-UFMG) explicam que o crescimento da população em situação de rua pode ser explicado pela ausência histórica de políticas públicas estruturantes, especialmente em moradia, educação e trabalho.

Conforme o estudo, o déficit de ações públicas atinge majoritariamente a população negra: a cada dez pessoas em situação de rua, sete são negras - média que se repete em todo o país.

Outros fatores considerados pelos pesquisadores foram a precarização das condições de vida intensificada pela pandemia de Covid-19 e o impacto das emergências climáticas e dos deslocamentos forçados - movimento de pessoas que deixam as casas e locais de origem devido a ameaças à vida, liberdade ou subsistência. 

O que diz a PBH? 
Questionada sobre o avanço dos dados, a Prefeitura de Belo Horizonte destacou a implementação do programa Viver de Novo, que articula ações de assistência, saúde e habitação para promover a reinserção social.
Entre as medidas destacadas pela PBH está a destinação de 3% das vagas do Minha Casa, Minha Vida, além da expansão do Bolsa Moradia, que deve atingir 1,5 mil beneficiários até 2027. 

O município também aposta na ampliação das equipes do Consultório na Rua e das unidades móveis de abordagem social, junto com a criação de modalidades de hospedagem social com permanência de até 12 meses.

O que diz o Governo de Minas? 
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas (Sedese) informou que vem fortalecendo políticas públicas voltadas à população em situação de rua, com foco na articulação intersetorial, apoio técnico e financeiro aos municípios e na promoção da inclusão social e produtiva.

Entre os investimentos estruturantes, a Sedese citou o projeto piloto Moradia Primeiro, realizado em Belo Horizonte, que prevê R$ 5,5 milhões para a reforma e construção de unidades habitacionais. 

Além disso, o Estado listou programas como o Minas Reciclando Atitudes e o Reciclando Dignidade, voltados à qualificação e à garantia de direitos previdenciários para catadores de materiais recicláveis. 

O governo também falou sobre a "modernização" do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), que monitora as políticas públicas e amplia a participação da sociedade civil na defesa dos direitos dessa população.